segunda-feira, 20 de março de 2017

Esperança vs Realidade

Sim, eu prometi que não voltaria a escrever aqui, mas deixar que os pensamentos falem mais alto que eu é algo que sempre aconteceu na minha vida. Sou óptimo a cumprir promessas perante os outros, menos para mim próprio. É daquelas falhas que não controlo, que nunca vou controlar e são muitas as promessas não cumpridas. Por isso é que sempre disse que não confio em mim próprio, apenas e só por isso, como também sempre disse que "primeiro os outros, eu só estarei para mim no final". Há coisas que não mudam e essa é uma delas. Talvez por isso, tudo aquilo que posso ganhar, acabo por perder. Nem isso me demove de deixar de ser quem sou ou de procurar ser uma pessoa melhor.

Não volto a escrever por me terem pedido. Apenas volto a escrever porque há coisas que não se dizem, mas que moram cá dentro. O quão é suposto ser-se capaz de arriscar? Por quanto tempo terei eu de esperar por algo que, possivelmente, nunca irá acontecer? A realidade das coisas é esta: no meio de todas as coisas, guardo para mim a esperança de uma criança que espera que na noite de Natal ou no dia de aniversário, ao desembrulhar aquela caixa quadrada, encontre o meu brinquedo favorito; a bola para poder jogar, correr, pular, sonhar, relatar o passe do João Vieira Pinto para o Nuno Gomes, que amortece a bola para o remate do (...) ou para imaginar uma jogada de Figo pela linha, que dá para (...) que descobre Rui Costa, o ídolo, ali à entrada de uma área que nada mais é que um chão de cimento, que remata portentosamente para o golo. A diferença, é que essa esperança de menino que guardo em mim, já não é pela bola de futebol onde dou largas à imaginação enquanto controlo os 45 minutos de cada parte. A esperança agora lança-se sobre aquilo que para muitos é inexplicável e com razão.

A esperança que um dia ela olhe para mim e pense para si mesma "é ele". A esperança que um dia eu olhe para baixo e me limite a sorrir. Essa esperança que continuo a esconder do mais comum dos mortais porque, verdade seja dita, são vazios de qualquer valor. Não quero isso, não vou procurar isso e vou continuar a viver sem isso. Vivo bem assim. Só quero que me olhes nos olhos e me transformes a esperança em realidade. Não te vou prometer falhar. Eu já falho a cada dia que passa ao manter-me agarrado à maldita esperança. Nem te quero aqui só para determinadas horas, quero para todas. Não preciso desses clichés que todos papam como se fosse a coisa mais bonita do mundo. Eu preciso é do sorriso desconcertante, das asneiras e dos acertos dos bons malandros, com a coragem de uns Maias para ultrapassarem as dificuldades todas. Preciso daquela loucura combinada com a ternura que, mesmo acabando numa criança amaldiçoada, está presente. Não preciso de encontrar o meu "sempre", pois agora sei que já o encontrei. Preciso é de me livrar da esperança e ter um vislumbre da realidade.

No fundo, preciso de ti. Só preciso de ti, sejas tu quem fores.