segunda-feira, 14 de março de 2016

Afinal, as pessoas mudam

Durante anos, tive como ideia que as pessoas não mudavam, apenas se revelavam. Não vi tal como verdade absoluta, mas as circunstâncias da vida assim me levavam a acreditar que o Eu interior de cada um poderia simplesmente ser ocultado por tanto tempo quanto a pessoa assim o quisesse, se assim o soubesse fazer. Em algumas pessoas é fácil perceber que aquilo que demonstram ser é diferente daquilo que realmente são, noutras nem por isso. Parte de toda uma predesposição de todos os intervenientes. Outro dos motivos que me levava a pensar assim era pelo simples facto de eu próprio não demonstrar aquilo que realmente era, tendência que ainda continua, mas como forma de auto-defesa. Porém, alguns acontecimentos fizeram-me repensar nessa minha forma de ver as pessoas e o mundo. As ciências sociais levaram-me a um momento de introspecção que se aprofundou com o desenrolar de alguns acontecimentos. Bastava-me ter olhado para a minha própria vida em retrospectiva para perceber que ambas as visões (a mudança e o revelar do ego) podem coexistir em sociedade.

Auguste Comte, desenvolveu na Sociologia, a lei dos três estágios. Essa lei, com o Positivismo como pano de fundo, resume-se como essencial para a evolução do indivíduo. Isto implica que, na soma de todas as aprendizagens e explicações, o indivíduo muda a sua forma de ser. A questão aqui será mesmo qual o impacto que acontecimentos positivos poderão ter junto do indivíduo e se serão mais fortes esses impactos via situações negativas. No meu caso específico, aprendi mais nos momentos negativos que nos positivos. Recordo-me de me dizerem que eu tinha tendências para vir a ser uma pessoa negativa, fechada, fria. Algo que acabou por acontecer e motivo pelo qual eu considerava mais correcto as pessoas revelarem-se do que mudarem. No entanto, tornei-me uma pessoa diferente, muito diferente e atestei isso durante estes últimos meses. Privado de pessoas importantes, acabei por mudar a minha forma de ver o mundo. Se por um lado continuo a mesma pessoa, por outro, já não sou a mesma pessoa que era. Recuperei certos aspectos que fui deixando para trás, mas perdi talvez aquele que considerava ser o meu maior handicap. Em vez de me agonizar com os meus problemas, aprendi a aceitá-los e a viver com eles, com um sorriso estampado na cara. Até porque certos problemas vão acompanhar-me para todo o sempre e, por isso, é preferível saber lidar com eles a deixar-me ser vencido por eles. Nesse aspecto, eu mudei.

Atente-se que não pretendo aqui enunciar um leque de aspectos que eu tenha mudado em mim próprio. Penso que a melhor mudança é mesmo o aceitar de que estava errado naquilo que considerava ser o mais correcto. Sim, as pessoas mudam e eu vou continuar a mudar sempre que achar que isso me fará ser uma melhor pessoa. No entanto, as pessoas também se revelam, pois muitas tentam passar uma imagem completamente diferente daquilo que realmente são. Tenha eu o discernimento de as saber ler e interpretar, para que não volte a ser apanhado desprevenido.

No final do dia, por muito que eu tenha mudado, vou continuar a tentar extrair o melhor de cada pessoa que passe e que se deixe tocar por mim. Afinal de contas, nós só precisamos de um ligeiro impulso para nos tornarmos pessoas melhores. Só que alguns de nós perdem esse impulso. Eu perdi o meu, mas decidi que não me mudaria para uma pessoa pior. Decidi que iria mudar para ser alguém melhor, revelando um pouco mais daquilo que realmente sou. É tudo uma questão de atitude.

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