domingo, 27 de dezembro de 2015

No Silêncio estou só

Certos acontecimentos têm a sua marca nas pessoas. Uns mais que outros, mas a marca fica lá. Cabe a cada um de nós aprender a viver com essas marcas. Cabe a quem nos rodeia, compreender o efeito que essas marcas tiveram em nós. Nem todos aguentam essas marcas, não conseguem viver com essas cicatrizes. A escolha de como essas cicatrizes são exteriorizadas depende também de cada um de nós. Enquanto uns decidem exteriorizar essas cicatrizes, no próprio corpo, outros fazem-no através do silêncio. Até no silêncio existem dois caminhos. Há quem prefira criar uma barreira imaginária para que ninguém veja, no sentido figurativo, essas cicatrizes. Outros decidem atalhar caminho para a única certeza que existe a partir do momento em que nascemos.

A mente humana é recheada de mistérios que ainda se tentam explicar. Como é que alguém perde a força? Como é que alguém tem a coragem e a fraqueza de maltratar o próprio corpo? Como é que alguém aguenta toda uma vida em silêncio dizendo que tudo está bem quando é mentira? Por muito que se tenta encontrar respostas, elas variam de pessoa para pessoa. Somos, enquanto humanos, seres únicos também por isso. Assim como não há duas impressões digitais iguais, não há duas formas iguais de lidar com a mesma situação. Somos arrastados por motivos diferentes na procura de nos tornarmos melhores pessoas ou de, pelo menos, afastar os outros que, por muito que nos tentem ajudar, só os vamos magoar mais. Uma boa analogia? A Terra pode não ser a única a girar em torno do Sol, mas é um planeta de características únicas.

A vida é uma caixinha de surpresas e eu não as vi todas. Se durante o meu caminho, até este momento, fui ensinado a lutar pelo que quero, também aprendi da forma mais dura o que é lutar para perder. Sempre tive a coragem de arriscar, sempre tive a força de aguentar a queda, mas as cicatrizes que ficaram? Aprendi a ignorá-las iludindo-me que estava a ficar mais forte. Pelo contrário, estou cada vez mais fraco. Decidi que o passo seguinte seria o da observação. O resultado foi o mesmo que das vezes em que decidi ouvir, das vezes em que decidi ler, das vezes em que decidi fazer para aprender. É como se perder fosse a condição. 

Lembro-me do mito de Prometeu. Em conjunto com o seu irmão Epimeteu, ficou responsável de criar todos os animais e dotá-los de determinadas características que os distinguissem dos outros. Epimeteu falhou no momento em que criou o Homem e não tendo mais características, recorre a Prometeu que rouba o fogo dos deuses, garantindo a superioridade dos Homens perante os restantes animais. Este acto, que salvaria o eu irmão Epimeteu, valeu-lhe o castigo de ficar acorrentado no monte Cáucaso onde uma águia lhe comeria o fígado todos os dias.

Sempre tentei proteger os outros, sempre tentei puxar pelo melhor de cada um. Sempre dei o meu melhor, mesmo quando não queria. Só que de nada me valeu querer ser uma pessoa melhor. De nada me valeu ser o que os outros queriam. Foram só mais marcas, mais cicatrizes que fui cultivando. Não me arrependo de o ter feito, apesar de tanto ter perdido. Foram tantas batalhas, tantas guerras. Se do meu reino sou Rei, o meu reinado são ruínas e já não existe mais força para reconstruir o que poderia ter sido um reino próspero que via a luz do Sol e o brilho da Lua. Só falta saber quando e qual será o desfecho desta história, mas eu? Eu estou cansado.

sexta-feira, 18 de dezembro de 2015

Mas Não é Meu

Todos os dias o vejo
E perco-me nesse sorriso que é teu
É sem dúvida o mais perfeito
Mas não é meu

O olhar, esse que te pertence
E que conta mil e uma histórias
É nesse teu olhar que eu me perco
Mas não é meu

Eu perco-me em prosas e poemas
Na tentativa de poder estar à tua altura
Invejo quem tem esse teu cantinho
Que não é meu

Assim como este não é o meu melhor escrito
O gostar é uma coisa estúpida como isto
E gostava de poder escrever algo melhor
Porque nem parece meu

Finalizo de forma mais curta
Deixa-me fazer-te esta pergunta
Sabes qual a semelhança entre este poema e o teu coração?
É que o teu coração nunca foi meu
E este poema? Este poema agora é teu.

sábado, 5 de dezembro de 2015

Talvez um dia

«A realidade e os sonhos andam, muitas vezes, de mão dada. Não é algo que não soubesse já ser possível. O que não acreditava ser possível era fazer com que alguém pudesse viver o mundo no mesmo sítio que eu.» 

Sempre fiz com que as pessoas procurassem o melhor de si. Que encontrassem aquela luz que brilha dentro delas. Todas elas o fizeram com sucesso. Bem, quase todas. Um dia, já distante, conheci uma pessoa com uma luz própria superior a todas as que já tinha visto. Não era uma pessoa que estivesse perdida, mas que estava a descobrir-se. Foi, provavelmente, das pessoas para a qual mais me custou ser frio e distante numa tentativa de não me apegar. Custou-me ainda mais adiar o inadiável; esconder a pessoa que sou e o mundo em que vivo. Poderia chamar-lhe uma espécie de realidade alternativa camuflada na própria realidade. Eu próprio aprendi a camuflar-me, mas sabia que um dia alguém iria ver para lá da camuflagem. Essa pessoa chegou, na altura certa para mim, na altura errada para ela. Não digo isto como se me arrependesse de a ter conhecido. Digo isto porque devia ter pintado o mundo com outras cores. Eu já sabia onde estava e não queria que essa pessoa viesse para o mesmo sítio que eu.

Sempre fiz de tudo para que ninguém se tornasse igual a mim. Não sou um exemplo que alguém deva seguir. Talvez tenha aspectos que possam servir de exemplo, mas é na superfície. Porque iria alguém querer ser aquilo que eu sou por dentro? Porque iria alguém querer viver pensando que já nada tem a perder, a desejar que cada novo dia seja um dia menos negro, que traga um raio de luz ou que simplesmente seja um dia em que se sinta menos miserável? Ninguém. Só que essa pessoa viu esse lado de mim. Primeiro, quis desvendar o mistério. Depois de o desvendar, viu que algo mais misterioso existia. Resultado? Essa pessoa está a viver os dias da mesma maneira que eu. Perguntam-me então: "Se sabes que é mau, porque é que não mudas?". Porque eu não consigo mudar. As minhas qualidades ou virtudes foram construídas baseadas nessa forma de ser, estar e pensar. Se hoje luto pelas pessoas, é porque sei precisamente o que é não lutarem por mim quando eu precisei. Entre outras coisas, é uma batalha desigual que muitos não vencem. Não que eu seja melhor que eles, apenas ainda consigo aguentar as coisas. Sem prazo, porque a minha história faço-a eu, só que o ponto e vírgula algum dia terá de se tornar ponto final parágrafo.

Hoje estou à procura de uma pessoa. Uma pessoa que está a percorrer o mesmo caminho que eu percorri. A pessoa que viu para além da minha camuflagem. Hoje estou à procura dela, só para tentar salvá-la uma última vez. Se eu lhe der as minhas asas para que ela possa ser livre...será que ela escolhe voar ou partir? 

Apenas espero que não acabe como eu.

quarta-feira, 2 de dezembro de 2015

Contrastes


 As ruas estão praticamente desertas e nelas procuro encontrar algo que me prenda a retina. Um movimento, uma cara, uma luz diferente das demais. Faço os meus olhos deambularem entre os vidros dos cafés, onde grupos se abrigam do frio de Dezembro e celebram a amizade como se fosse um dos momentos marcantes das vidas de cada indivíduo pertencente a esse grupo. Não me conforta. Não sinto inveja. Não sinto nada. Observo com o olhar atento de um falcão como que em busca de um rasgo de inspiração, um sorriso poético, um movimento cativante ou uma palavra que sirva de ponto de partida. Não encontro e sigo o meu caminho para observar outros cafés, outros pontos de interesse, outras caras. Observo cada expressão facial na procura de um traço distintivo dos demais, mas não encontro. Vejo sorrisos, mas todos tão banais, todos tão cópia do mesmo. Não há um único sorriso genuíno. Os casais que encontro, partilham sorrisos entre si e entre abraços, como se um braço protegesse do frio. Esses sorrisos já são vítimas de uma rotina que não tarda em aparecer. É certo, não é possível manter o mesmo sorriso puro e espontâneo, que é ingénuo e ao mesmo tempo perfeito, mas é possível ele acontecer com regularidade. Não acontece, mas está tudo bem. São pessoas felizes que minimizam os seus problemas. Com olhar de sociólogo, coloco em dúvida a questão de vivermos numa sociedade com uma tendência cada vez mais depressiva e negativista. No meio de tantas telas, não vejo nenhuma pintada de preto.

O caminho continua e eu, preso ao meu modo de agir, continuo a observar. Caras, tantas caras, mas tão vazias de expressão. Talvez seja o meu olhar distorcido ou o meu imaginário a actuar sobre mim próprio. Eu vejo nos outros aquilo que sinto quando me olho ao espelho todas as manhãs quando acordo e todas as noites antes de me deitar. Olhares vazios que não me aquecem, bem pelo contrário, só me ajudam a cimentar o gelo em que me torno. Em plena consciência, torno-me cada vez mais distante daquilo que dizem ser uma condição humana; os sentimentos, as emoções. Pego nos meus pincéis, pinto a minha tela com a mesma cor de sempre. Começo por tentar preencher as cadeiras vazias do café com brindes a amizades que não conheço. As aguarelas servem-me apenas para dar aquela ideia de uma paisagem humedecida pelos pingos de chuva ou pela geada. Há sempre os acrílicos. Pinto expressões, pinto as ruas, faço os traços imperfeitos mais perfeitos que alguma vez alguém ousou fazer. Faço tudo isto, mas as ruas continuam quase desertas, os cafés continuam quase vazios, as caras continuam mais do mesmo. Nada se destaca. E eu imagino-me no meio delas, a celebrar uma qualquer coisa imaginária que não aconteceu. Perto do coração daqueles que me chamam amigo, com alguém que pudesse aquecer só com um abraço neste frio de Dezembro e onde as emoções são tão simples. A vida é feita de contrastes e se o meu imaginário é cheio, a realidade é vazia. A minha tela está pintada, toda de preto, como que em sinal de luto pela única pessoa que não existe. É aqui que entra o meu narcisismo e foco todo o texto na minha pessoa. Encontro-me nas sombras da minha própria existência, onde não há luz que ilumine estas ruas e pessoas. Largo o meu pincel, onde pintei com letras a minha tela outrora branca e agora preta.

Até quando irá permanecer o barulho? Só me quero dedicar de corpo e alma ao silêncio. Sim, sou egoísta. Tão egoísta ao ponto de apenas querer o melhor para todos. Um dia, também eu me vou incluir nesses "todos" que são tudo para este nada.

segunda-feira, 9 de novembro de 2015

Um rapaz que conheci


«Eras uma pessoa, que como todas as outras, lutava pela vida. Ajudavas meio mundo sem dar uma causa como perdida e preocupavas-te mais com os outros do que te preocupavas contigo. Quis o destino que errasses e acabasses sozinho. Começaste a auto-destruir-te aos poucos e se não eras louco, pouco faltou para lá chegares. Quando acordaste, ficaste com ódio e raiva por veres naquilo em que te tornaste. Julgaram-te como se estivesses no purgatório e de nada te valeu o teu arrependimento. Considerado culpado, tiveste de pagar com anos de sofrimento, como se já não fosses humano, apesar de te dizerem que és um anjo. Acreditaste e ganhaste esperança, inocentemente, até te terem dito para voares. Foi ali, naquele momento, que te viste incapaz, porque não tinhas asas. Foi nesse momento, que humilhado, sozinho e destruído, que verteste as tuas lágrimas.»

Estava no Verão de 2006, no solarengo e tórrido mês de Agosto, quando conheci um rapaz. Esse rapaz carregava em si os sonhos do mundo. Sempre que cruzávamos caminho, via o quão sonhador ele era. Acreditava que todas as pessoas tinham o bem dentro de si, algumas apenas o tinham de descobrir e ele, sempre prestável, ajudava a descobrir esse lado bom. Foram tantas a vidas que ele mudou, pela sua maneira de ser, pelas palavras certas na altura certa. Era como um verdadeiro anjo da guarda. Dotado de uma inteligência, criatividade e capacidade grandes, que humildemente dizia não ter, ele lutava todos os dias para ser o melhor naquilo que fazia. Fosse música, fosse futebol, fosse ajudar os outros, não importava. Desde que metesse um sorriso na cara dos outros, era o suficiente para ele se sentir realizado.

Ele tinha uma namorada, a quem confiava tudo e em quem confiava. Apesar de todos os altos e baixos do passado, ele continuava a acreditar que seria diferente. Não se enganou muito, apenas na perspectiva. Afastou-se das pessoas, deixou de ter prazer no que fazia e na escola já só demonstrava rasgos da sua verdadeira inteligência. Ele sentiu o mundo fugir-lhe e desde essa altura nunca mais foi o mesmo. Demorou a reconhecer que tinha uma depressão e essa demora custou-lhe amizades e um futuro diferente. Nunca admitiu perante os outros aquilo que tinha, nunca se desculpou, apesar de ter sido desculpado por todos. Só lhe queriam dar a mão, a qual ele rejeitava. Demorou o seu tempo, mas acabou por voltar a ser o que era, até certo ponto. Nos últimos tempos, esse rapaz tem andado no limbo entre o estar bem e o cair de novo. A diferença que vejo, é que desta vez ele agarra-se a todas as mãos que lhe aparecem. Consigo ver que ele apenas quer que não o deixem, apesar de ele não falar muito comigo sobre o assunto. Foi-se fechando cada vez mais. Uma vez, confidenciou-me: "um dia, espero ser capaz de anular todos os meus sentimentos." Eu sei que ele é capaz de chegar a esse ponto, apesar de se ter tornado um actor exímio. No fundo, ele só deseja que todos sejam felizes, mesmo que isso implique que o deixem para trás, algo que ele não é capaz de fazer a ninguém.

É verdade que a vida nos levou por caminhos diferentes, mas ainda assim, ao longo destes anos, fui vendo esse rapaz. O texto que abre este post, foi da sua autoria, nesse Verão que já não volta. Ultimamente tenho estado com esse rapaz. Tem ambições, mas já não tem sonhos. Voltou ao estado em que esteve, desde as atitudes aos pensamentos, mas com uma diferença...é que agora culpa-se a si próprio. Continua a querer o melhor e o melhor para os outros. Continua a dar-lhes a mão e a esquecer-se de si próprio para os ajudar.

Talvez um dia ele tenha tudo, daquele pouco que ele tanto quer. Até lá, ele vai escrevendo o que lhe vai andando às voltas no pensamento.


"Therapy is about every kids nightmare. When people are telling you that you need to get help but all you really want is a hug" -Alex Gaskarth

sábado, 7 de novembro de 2015

Saudades


Saudade. Não sei quantas vezes mais vou escrever sobre ti, nem quantas vezes mais vou escrever sobre a saudade. Sei que vou continuar a escrever a olha da mesma maneira de sempre. Aquele olhar de quem quer apenas ser parte de uma vida, que quer voltar atrás e recuperar um tempo que já não volta. Mais que um tempo, trata-se de uma pessoa. Por muito que o tempo passe, a ligação não cai. É a velha história de "quando duas pessoas conseguem apreciar a companhia uma da outra sem esboçar qualquer palavra". Se chegámos lá, qual foi mesmo o problema que veio dar cabo de tudo o que foi construído para se atingir o ponto em que "estamos lá", mas não estamos de todo. É como preencher o vazio com um vazio chamado ilusão. Não sei quanto tempo mais vai passar, se alguma vez as coisas vão mudar novamente ou se é apenas o medo. Incapacidade de esperar? Não sei se será isso. Por muitos que sejam os obstáculos, nós somos aquilo que fazemos. Sim, é uma frase demasiado complexa, porque nós também cometemos erros que não nos definem, mas podem levar à nossa definição enquanto pessoas. Até porque é com os erros que nós aprendemos.


Só que tu não foste um erro. Pelo contrário, foste a única coisa certa que tive na vida, até agora. Claro que não fecho a porta à hipótese de haver mais coisas certas, mas olhando em retrospectiva só posso afirma isso. No entanto, estes últimos tempos não foram positivos numa auto-avaliação que faço da minha vida e personalidade. Eu mudei, é verdade. E não foi assim tão pouco quanto possa parecer. Tornei-me algo que tu, na altura certa, impediste que eu me viesse a tornar e só te posso agradecer por isso. Não estou a dizer que a culpa é tua, longe disso! Tu escolheste o teu caminho e eu vou apoiar-te com tudo o que tenho. Apenas preferia não ter estas saudades. Entre a saudade de saber que estavas ali, mas que tinhas de ir embora e esta saudade em que não faço sequer ideia do ponto da situação, prefiro a primeira. Porque sabia que no dia seguinte, ali estavas tu, de sorriso em riste, pronta para animares os dias mais cinzentos. Agora, apenas estás aí, a tentar acreditar que tudo vai ficar bem e a tentar afastar-te de toda a negatividade. Estás aí, a pensar que tudo vai mudar só "porque sim", quando a verdade é que vais ter de lutar todos os dias para mudar algo. Eu vejo-te cair, mas tu já desististe de me pedir para te ajudar a levantar. Vejo-te ter pequenos momentos em que tudo o que tens é saudades de ti...e daquilo que eu era para ti. Só que também vejo que não queres isso de volta. Respeito a tua escolha e a tua decisão.

Eu? Eu fico aqui, com as minhas saudades, as minhas cartas e os meus pensamentos. A olhar por ti, como sempre. Afinal de contas, é nisso que eu sou exímio...a tomar conta dos outros e a ajudá-los a descobrirem a sua felicidade.

segunda-feira, 2 de novembro de 2015

Sonhei contigo...

É inexplicável o que uma noite pode fazer com a cabeça de uma pessoa. Pelo menos com a minha cabeça. Sou daquele tipo de pessoas que passa um dia inteiro, até à exaustão a pensar no significado daquilo que sonhei na noite anterior. Procuro perceber o porquê do que sonhei, das pessoas com quem sonhei, da forma como me relacionei com elas nos sonhos. Perco a noção das horas em que a minha cabeça anda à volta com estes pensamentos. Horas. Dias. Dura tanto ao ponto de querer voltar a eles todas as noites. Porém, sonhos são como fumo e uma vez que eu acorde, não há volta para esse sonho. Sonhar com alguém é algo raro para mim. A maioria dos meus sonhos envolvem-me a mim, sozinho, em situações das quais não consigo sair. Porém, quando sonho com alguém, só existem três vertentes: ou estou a ser feliz, ou estou a dar a minha vida em troca pela vida e felicidade desse alguém ou, em último caso, estou a ser despedaçado por esse alguém. Desta vez venho-vos contar sobre o primeiro caso, ou seja, eu estava a ser feliz.

Sonhei com uma rapariga que conheço, que vejo quase todos os dias. Conheci-a há qualquer coisa como três anos. Já tinha sonhado com ela algumas vezes, mas foi sempre de passagem. Qual a diferença desta vez? É que ela não estava de passagem. Ela estava para ficar. Ela, eu e o mundo para conquistar. Lembro-me de acordar com um sorriso estúpido na cara. O mesmo sorriso estúpido com o qual sentia que estava durante o dito sonho. O mesmo sorriso que ela tinha...estúpido, mas perfeito. Até que acordei. Devia ter-me levantado da cama e feito a minha vida, em vez de me atrasar para os meus compromissos porque cometi o erro de tentar voltar a sonhar com ela. Não consegui.

hplyrikz:

More hereQual é o problema no meio disto tudo? O problema é que esta rapariga não é uma rapariga qualquer. Ultimamente temos falado muito pouco, quase nada, desde um pequeno episódio que abalou a minha confiança, numa altura em que eu não precisava disso. Talvez até seja culpa minha por ver fantasmas onde eles talvez não existam. Mas pergunto-me...porquê com ela? Eu não consigo negá-lo, eu adoro-a. Talvez mais do que ela imagina ou sabe. Apesar de tudo, de me sentir magoado, eu continuo a querer o melhor para ela e que ela seja feliz. Já cheguei a pensar que talvez eu pudesse fazê-lo, mas não me acredito. Não que ela seja demais para mim...ela apenas não me consegue ver a mim como eu a consigo ver a ela. Não estou apaixonado, mas bastava que ela se apaixonasse e eu apaixonava-me por ela. O que me leva a pensar: ou estamos ambos a esconder algo demasiado bem um do outro e não devíamos ou eu estou outra vez a ver a pessoa perfeita no lugar errado.

De qualquer forma, como se diz hoje em dia ela "não é da minha liga". Não é achar-me mau. Apenas acho que ela está uns níveis acima de mim. E eu já lhe disse isso...

"Não me vês, não me ouves. Se ao menos sonhasses..."

sábado, 17 de outubro de 2015

Altura de arrumar as malas e partir


Os dias parecem cada vez mais longo e cada vez mais duros. Sempre soube que a vida era difícil e nunca virei a cara à luta, daí ter apagado do meu dicionário a palavra desistir e todo o seu significado. Será que valeu a pena? Começo a pensar que não. Vivo bem com essa maldição de não desistir das coisas nem das pessoas. Até certo ponto. Os danos provocados na minha mente não são bonitos e acredito que, por bem menos, já muitos acabaram com tudo, consigo próprios. Eu não. Eu estou aqui, a cada novo dia, com as preocupações do mundo em mim, a desejar que todos sejam aquilo que eu não consigo ser. Talvez seja por isso que eu sou um vilão e, como nós sabemos, vilões não têm finais felizes.

Nos últimos tempos, perdi amizades, pessoas importantes, vontade de estar em algum lugar, vontade de fazer o que mais gosto e até fui impedido de fazer coisas das quais gosto. No entanto, devo dizer que neste último caso a saúde está em primeiro lugar e prefiro não arriscar. O que terei eu feito para merecer tudo isto? Já nem sei. Sei é que as pessoas desistiram de mim e muitas outras o farão no decorrer dos próximos tempos. E serei eu capaz de lhes desejar algum tipo de mal? Não. Serei eu capaz de não os ajudar? Não. Mais uma vez, dou parte fraca, engulo o meu orgulho, arregaço as mangas e vamos a isto. Não quero que as pessoas tenham pena de mim ou que me achem um coitadinho ou uma vitimazinha. Só gostava que as pessoas ficassem quando eu lhes digo para me deixarem e gostava que não me interpretassem mal. A juntar a isso, tenho problemas de confiança e o que é que fazem? Rebentam com ela. Como é que eu lido com isto? Não lido...fecho-me no meu cantinho, calo-me, culpo-me por alguma vez ter acredito que nunca me iriam dar cabo da confiança.

Tudo o que se tem passado recentemente tem-me feito ir abaixo. Só que eu ainda estou de pé a acreditar que alguém me vai salvar de tudo isto. Se querem desistir de mim, estão à vontade. Eu não quero saber. Pessoas que me eram importantes, pilares autênticos, já o fizeram. As desculpas que me dão têm sido fontes de gargalhadas para mim.

Talvez eu nunca tenha tido amigos de verdade e quem me dizia que eu tinha na minha cabeça uma realidade alternativa, onde todos são bons, sempre tivesse razão.

Desculpem-me a mim por ter acreditado tanto em vocês. Desculpem-me por continuar a fazê-lo. Desculpem-me por continuar a querer o vosso bem. Desculpem-me por me terem conhecido. Desculpem-me por vos ter marcado a vossa significante vida com a minha insignificante forma de ser.

Uma vez disseram-me "as pessoas invejam-te porque tens uma luz própria tão forte e única". Eu perdoo todos os que sentiram essa inveja e prometo-vos uma coisa:

 - Nunca mais terão de se preocupar comigo.

sexta-feira, 18 de setembro de 2015

Perguntas sem resposta? Abraço o silêncio

Há coisas que não percebo e que talvez seja melhor não as perceber de todo. É incrível como tudo muda numa questão de segundos e o que essa mudança pode influenciar é extremamente interessante de observar. Isto porque origina mudanças de comportamento, humor ou até da forma como nos relacionamos com as pessoas. Penso que esta mudança possa ser moldada por acontecimentos que a antecedem. Há quem diga que é o destino ou que é algo previamente decidido que iria acontecer. Chamem-lhe fé, mas será que é por uma questão de fé que nós decidimos o que quer que seja na nossa vida? Eu não penso que assim seja, porque se fosse pela fé, provavelmente não haveria tantas decisões tomadas como forma de cada indivíduo se beneficiar apenas e só a si próprio. Porém, há coisas, situações, atitudes, que eu gostaria de perceber. Gostava de perceber esses pequenos momentos. 
Quanto mais os dias passam, mais eu me sinto a ficar longe das pessoas. Culpa minha, direi eu. Eu aviso as pessoas, antes de se aproximarem de mim que não sou a melhor pessoa do mundo. Eu aviso-as que sou um autêntico desastre, que não vale a pena investirem tempo a mim. A quem me desafia, eu digo que mais cedo ou mais tarde se vai acabar por afastar. A verdade é precisamente essa. A culpa é minha, direi eu. A culpa é de quem não aproveitou, dirão os outros. Eu não suporto a ideia de solidão por ter demasiadas pessoas à minha volta. Pessoas que dizem coisas que eu não entendo, que não percebo. Talvez um dia eu consiga explicar, neste meu cantinho onde escrevo as coisas das quais não quero falar, o porquê de não entender tudo isto. Sim, há um motivo. Porém, este não é o momento para o dizer. Neste momento, o que procuro é descobrir a razão para certas pessoas dizerem o que dizem.

Eu juro que não percebo porque me dizem que sou fantástico. Não percebo porque me dizem que eu brilho, que eu tenho luz própria. Não percebo, porque eu não acredito que assim seja. Eu dou tudo de mim aos outros, é um facto. Dou demasiado até a quem não merece. Dou tudo o que tenho, posso e consigo e isso raramente envolve bens materiais. Tudo o que recebo são palavras, umas onde dizem que sou fantástico, outras são pronunciadas no silêncio. Essas palavras silenciosas são apenas o "agora que já estou bem, já não preciso mais de ti". Eu aceito. Eu também me afastaria de mim se pudesse. Pergunto-me, quando é que tudo isto vai acabar. Pergunto-me ainda mais, porque me dizem tais palavras elogiosas quando eu simplesmente não as mereço?

Talvez um dia alguém me possa responder. Até lá, vou abraçar o silêncio, que apesar de não me dar qualquer conforto, não me causa nenhum desconforto. No fundo, é o que eu mereço.

quarta-feira, 16 de setembro de 2015

O ponto de partida

Setembro, o mês maldito. Não é que não goste da chegada do Outono ou do saudosismo que fica das noites de Verão. São histórias, são momentos, são pequenas coisas que parecem significar muito e no final, acabam por significar um nada que apenas ajuda a aprofundar o vazio. As perguntas sem resposta, as respostas que não provocam uma reacção...o cansaço. Porém, o cansaço não justifica tudo. O vazio, esse sim, significa tudo e muito mais. Significa um mundo que não existe, significa um mundo que eu gostava que existisse. No fundo, significa a memória de que ser o melhor nunca será o suficiente. Para mim, para aqueles de quem gosto e para aquilo que me deveria fazer feliz.

Setembro será sempre aquele mês em que prefiro que não me digam nada, que me façam sentir que sou louco e que não tenho ninguém, porque no fundo, não tenho mesmo ninguém. Por mais que me digam que tenho, que só tenho de acreditar, que só tenho de parar de pensar da forma que penso, não tenho ninguém. Esta será uma ideia a ser desenvolvida ao longo deste texto. Há excepções, como tudo na vida, mas serão elas suficientes para tudo o que envolve? Duvido. A força que este mês tem nos meus pensamentos malditos passa precisamente pela idealização de que tudo só pode piorar. Recentemente, coloquei precisamente numa rede social que "já devia saber que tudo aquilo que mais gosto, vou perder". Alongo a ideia: já deveria saber que tudo é efémero. A vida são apenas uns míseros dois dias e em ambos eu apenas tento fazer por sobreviver apenas mais uns minutos. Fazendo a divisão desta frase, permitam-me que diga que: são 12 horas para passar pela infância e eu começo a duvidar que as tenha aproveitado; 12 horas na adolescência, as quais passei por momentos mais baixos que altos; 12 horas a ser um adulto activo e a realizar todos os sonhos e eu só estou a viver os pesadelos; 12 horas para colher os frutos de toda uma vida e esperar poder partir desta vida com um sorriso. E quem quero eu enganar? Ninguém.

Setembro, desde que me lembro, nunca foi o meu mês preferido. Setembro marca o início da minha queda enquanto alguém que quer viver, para marcar a ascensão dos meus pensamentos que me querem afogar. Não há motivo para preocupação, porque eu sigo em frente. Sempre o fiz, independentemente dos danos causados. Foi em Setembro que começou a pior fase que conheci até hoje. Foi em Setembro que atingi o clímax das minhas mentiras para disfarçar os estragos que foram feitos. Foi em Setembro que me perdi de amores por alguém que não merecia. Foi em Setembro que me perdi de amores por alguém que não conseguia ver além do seu próprio umbigo. Foi em Setembro que conheci o ponto alto da minha existência e conheci a metade que precisava e foi no mesmo preciso dia, do mesmo mês, com alguns anos de diferença, que alguém conseguiu arruinar essa memória da minha metade. É preciso seguir em frente, por muito que não queira. Eu não sei o que mais me reserva o mês de Setembro, mas não creio que seja algo bom.

Setembro traz o frio que não sinto, o vazio que ofusco entre sorrisos. Setembro é isto. É o olhar para os outros e pensar "eu dei tudo de mim e o que recebi foi ficar cada vez mais vazio, cada vez mais só, cada vez menos esperançoso." Esperança? Setembro tirou-ma depois de ma ter dado. E tudo o que resta é isto. Eu não vou falar sobre isto, porque não quero. Porque chega-me escrever estas linhas. Não preciso de perguntas. Tudo o que preciso é do silêncio e de ser entregue à solidão a que pertenço desde que nasci. Não preciso de mais nada.

"And to scream confessions at the insipid sky parting clouds.
You let this one person come down in the most perfect moment.
And it breaks my heart to know the only reason you are here now is
A reminder of what I'll never have
(...)
For as much as I love Autumn,

I'm giving myself to Ashes."

(E gritar confissões às nuvens insípidas que partem dos céus
Tu deixas esta tal pessoa chegar no momento mais perfeito
E parte-me o coração saber que a única razão pela qual estás aqui neste momento
É uma lembrança do que nunca terei
(...)
Por muito que eu ame o Outono
Eu entrego-me às cinzas)
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terça-feira, 8 de setembro de 2015

Please, don't try to fix me

I've been wasting my day thinking about everything in my life. All the tears I've cried, all the things that broke my heart...all the reasons that made me this, let's say, person. I like to think about myself as a monster. You know, the fairytale "Beuaty and the Beast"? The difference is in the past: I didn't hurt anyone and if I did, I'm sure I've hurted myself a lot harder than it may seem.
I'm a broken mess. I'm shattered all over the place. Most of the times I think I should cut myself open, I should stop breathing, I should stop living. I should, above all things, be left alone. Who's to blame rather than myself? No one! I've made bad choices, I've made mistakes that cost me a lot. I've become a much more rational person. I don't just sit there, waiting for anything to come. I just sit there waiting that nothing comes in my way. It hurts, but it's all life have been giving me. The struggle is so painful. This is a fight I can't win and believe me, I've tried. Every single day I try to be someone better, I try to be something that I will love and people will love too. I'm always trying my best to make others smile and go on with their lives. I've been pretty successful in that, I guess. But, what about me? Why can't I have a single moment of joy? Why can't I have the things and the people that really makes my heart goes on?

I've met a person. A very special one in my life. We could be everything, but we're not. I can assume my fault in that. What I can't stand is someone in her life that I don't trust, that I have, let's call it a feeling, that will hurt her and make her suffer. I have that feeling that she will be betrayed, The funny thing is that she keeps telling me that she's cheating herself. She's a priority to me and a choice to him. However, she wants to fight for that and I don't blame her and if that is what she wants, I'll support her. My fear is that if everything goes wrong and I'm not near, who will save her, since I'm the one capable of doing so?
I'm just failing at my myself. I'm failing with everyone around me. I'm feeling like a failure and I don't deserve all the good things in my life. This pain is what I get and maybe, just maybe, what I really deserve. Maybe this is what I will get through my entire life. Sometimes I just want to give up everything, but I won't do it. I rather live with pain than deliver pain to the ones I love the most.

This ruins. This wreckage. This mess. It torn me apart and made me just a shadow of what I could be. It just turns me into pieces. Small pieces. Stomped by everyone. But I'm here and I always will. To tell people my story and to lift them up. Because their smile is way more important than my own. This emptiness and loneliness won't change my priorities.

sábado, 5 de setembro de 2015

Tiros no Escuro

Provavelmente, este será um dos posts mais agressivos deste blog. Porque apesar de toda a calma eu também sou uma pessoa que, por vezes, deixa que a pele comece a ferver e os meus pensamentos dão nisto. Será curto e simples.

Estou farto. Cansado de muita coisa na minha vida. Apesar de tudo, luto para que possa viver em paz e harmonia, principalmente com os outros. Não há um único dia em que não tenha algo para dizer de negativo sobre uma situação ou outra, uma pessoa ou duas. Tenho sempre, mas não o faço. Gosto demasiado da paz e do sossego que o silêncio me dá. Porém, há dias melhores e piores e hoje, é um desses dias. Eu falhei com, digamos, uma promessa. Eu não falho com promessas! E não há pedido de desculpas que me faça sentir mais leve ou aconchegado. Não há. Falhei, vou fazer para que não volte a falhar, mas esta culpa fica aqui, comigo, pois falhei. A juntar a isso tive um acto de irresponsabilidade que me pode custar o futuro. Sim, um erro que não devia ter cometido. Mais um para juntar a outros tantos. Falhei e, se já devia ter mudado, ainda não mudei.

Outra coisa que não suporto é o típico desprezo. Do género, se não querem falar comigo, digam logo de uma vez por todas que não querem! Se só precisam de mim quando sentem o mundo a fugir-vos por baixo dos pés, sejam sinceros, e digam-no! Parem de me dizer que sou boa pessoa, que sou óptimo, que sou o melhor, que sou forte...poupem o vosso latim! Ou estão comigo como um todo ou não estão de todo. Eu já tenho demasiado com que batalhar na minha própria cabeça, não preciso de batalhar contra os outros e, acima de tudo, batalhar as lutas dos outros. Se querem que seu seja mais directo? Pois bem, deixem-me sozinho! Poupem-me ao acreditar que são pessoas diferentes e em quem eu posso confiar!

Também não gosto de ficar à espera por uma resposta que se pretende instantânea. Sou justo, há casos em que tenho de esperar por uma resposta, mas de resto, se fosse para demorar, mandava via pombo-correio ou ia entregar a mensagem pessoalmente. Realizo que isto é um bocado estúpido e a minha reacção tem a sua piada, mas penso que não sou o único a sentir-se assim.

Por último, algo que me persegue, já lá vão anos e anos. Há uma coisa que odeio: traições. Odeio que trai, odeio quem ajuda a trair e odeio quem faz isso. Sou alguém que valoriza os compromissos e prefiro um sincero "desculpa, mas não dá", por muito que isso possa doer, do que um "não te queria trair" ou "isto não é o que parece" ou ainda um "foi um momento de fraqueza". Sejam homenzinhos e mulherzinhas para admitir os vossos erros e tenham ainda a coragem necessária para serem sinceros! E a juntar a isto, não suporto ciúmes sem motivo. Durante longos anos tive amigos com ciúmes de mim por eu falar com as suas namoradas. Eu nunca dei motivos para isso! Nunca! E continuo a não dar motivos para quem os namorados das minhas amigas tenham ciúmes de mim! E também não dou motivos a ninguém, amigo ou não, para ter ciúmes de mim, ou do que faço ou do que quer que seja. Eu fui educado a respeitar os outros, mas nunca respeitei ninguém acima dos meus valores. Os meus valores são sagrados para mim e isso envolve o respeito pelos outros.

Por vezes, canso-me disto tudo e desabafo. Raramente publico os meus desabafos deste género. Hoje é a excepção. Espero que tenham aprendido um bocadinho sobre mim e que possamos agora conviver como duas pessoas. Porque eu estou farto disto. Amanhã, quando acordar, já tudo isto passou e estarei mais tranquilo. Agora não.

terça-feira, 1 de setembro de 2015

Batalhas de uma vida

«...e eu quero dar-te tudo...mas sempre que existe a hipótese de ter meios para fazer isso, algo falha, algo me puxa para trás, algo me impede como se fosse uma lição que a vida me quer dar(...)a culpa não é tua. Tu apenas tiveste o azar de amares alguém que a única coisa que tem para dar é aquilo que sou enquanto pessoa, tiveste o azar de amar uma pessoa que sempre que faz planos contigo, surgem sempre coisas que arruínam tudo. Garanto-te, vou gastar a minha vida a tentar ficar demasiado perto de ti, independentemente daquilo que tenha de enfrentar e do que tiver de deixar para trás...»
 A vida ensina-nos que as melhores vitórias, são as mais sofridas, aquelas onde temos de nos superar a nós próprios de forma a conseguirmos perceber o motivo da vitória. Dizem que as batalhas mais difíceis são dadas aos mais fortes, mas os momentos de fraqueza que essas batalhas dão são tão grandes que até o mais forte de todos duvida da sua força e cai. Porém, aquela força oculta que temos dentro de nós e que desconhecemos, surge nestes momentos. "Só mais um dia". "Só mais uma tentativa". Pensamos nós, na esperança que tudo se resolva para nosso bem.

Eu tenho sonhos. Tenho vontades e quereres. Relaciono-me bastante com a citação que abre este post. Entre vários motivos, um deles é precisamente o facto de, sempre que algo parece que está a correr bem, vem algo que me puxa para trás e arruína os planos. Deita-me a baixo, pontapeia-me, isola-me do mundo. Só que, por algum estranho motivo, eu não desisto. Eu ergo-me, qual fénix a renascer das cinzas, e parto para a luta. Nunca fui de ter paciência, porém, tornei-me paciente. Confesso que me custa sair da cama na maioria dos dias, mas sei que, algures num sítio que só eu sei, tenho algo e alguém que vale a pena à minha espera. Até quando? Até quando irei eu ter aquilo que quero à minha espera? Acho que é tudo uma questão de probabilidades. Como posso eu viver segundo a lógica e o raciocínio matemático, se a Matemática está sempre certa e eu cometo erros?

Eu só quero resolver tudo na minha vida. Quero começar a ter um bocadinho de luz neste quarto escuro. Quero passar das possibilidades aos factos concretos. Porque eu tenho o objectivo de cumprir tudo o que prometi. Eu estou a fazer pelo meu futuro e em dois anos descobri mais do que imaginava e fiz mais do que alguma vez pensei conseguir fazer. Só é pena estar numa corrida contra o tempo porque a qualquer momento, posso perder tudo. Gostava de pedir ajuda na realização dos meus sonhos e promessas, mas é algo que terei de fazer sozinho. E vou continuar a lutar por tudo. Apenas gostava que deixassem de aparecer impedimentos em cima de impedimentos. Porque eu vou mesmo gastar a minha vida a tentar ficar mais perto daquilo que quero e não tenho medo dos desafios. Eu vou superá-los, mesmo quando pensar em desistir. Só desejo por um bocadinho de sorte. Só desejo ter uma hipótese que se concretize. Uma oportunidade que me deixe transformar os sonhos em realidade.

Só quero uma oportunidade, mesmo estando disposto a abdicar dela se isso me garantir a felicidade de alguém. Só isso.


quinta-feira, 20 de agosto de 2015

Divagar para desanuviar

São momentos que marcam. São palavras que vão ou que ficam. É toda uma panóplia de situações que nos deixa numa espécie de bloqueio. Nem sempre é fácil superar essas situações e, num momento de maior raiva, pode dar-se o acaso de serem ditas palavras indesejadas. Uma conversa que parece não ter fim, mas que vai acontecendo inúmeras vezes, tantas que já se sabe de cor as palavras que vão ser proferidas durante essas conversas. A que se deve tão indesejada repetição? A que se deve tão indesejados acontecimentos? Alongamos o nosso pensamento à procura de respostas, justificações, sentidos...com que objectivo? Será assim tão difícil partir sem respostas, justificações ou sentidos? Não é só nas pequenas coisas, é também nas grandes, nas importantes.

Confesso que sou uma dessas pessoas que precisa saber as respostas, ter significados e encontrar os sentidos que me devoram os pensamentos. Não diria que é uma forma de desordem obsessiva-compulsiva, apesar de viver com base nos detalhes. Aprendi a disfarçar bem esse sintoma, para meu bem e para bem daqueles que me rodeiam e a desorganização que tenho em meu redor é apenas parte desse disfarce. No entanto, a desorganização de pensamentos é algo que eu não me posso dar ao luxo de ter. E aqui volto eu, ao processo de sempre: justificações, sentidos, significados, respostas. Não suporto a ideia de ter uma ideia a meio. E quando encontro uma resposta, logo surge outra dúvida. Umas baseadas pelo medo, outras pela incerteza, outras pela esperança. A questão não é o "porquê?". A questão, para mim, é saber quando é que isto vai parar. Quando é que vou ter, finalmente, a possibilidade de viver longe das amarras destes pensamentos, desta procura incessante por respostas. Eu espero de forma quase perversa pelo dia em que serei capaz de pensar apenas em coisas inúteis; que roupa visto, o que é que farei para a refeição, que livro vou ler a seguir, que música me apetece ouvir...esse tipo de questões mais mundanas e despreocupadas. Porém, sei que esse dia nunca irá chegar. Estarei constantemente a desafiar os meus pensamentos e a desafiar-me a chegar mais longe.

- Será que poderei ser feliz dessa forma?
- Será que poderei ter quem eu quero dessa forma?
- Será que poderei cumprir os meus desejos se continuar assim?
- Será que me conseguirei perdoar se falhar?
- Será que conseguirei não falhar?
- Porque tenho eu de passar por este, digamos, Inferno?
- Porque tenho eu de batalhar todos dias e só receber chapadas a troco de nada?
- Porque é que eu não me consigo desvincular de tudo isto?
- Porque não consigo eu pensar apenas em mim?

São só algumas das perguntas. No entanto, esta última é um pouco contraditória com outro aspecto que eu reconheço em mim como é a necessidade de querer as atenções apontadas para mim, o que contradiz bastante com aquilo em que me tornei. Preciso sentir-me útil, mas preciso, acima de tudo, que olhem para mim, quase como querendo que me coloquem num sítio onde todos possam olhar para mim. E nunca tive falta de atenção, afasto-me dela a sete pés, mas preciso dela. Psicologicamente, isto seria considerado o distúrbio do défice de atenção. E voltamos às perguntas: porquê a mim? Porque tenho eu de sentir esta necessidade de querer as atenções todas para mim, quando eu até fujo desse tipo de atenções? Um dia terei essas respostas, resta saber quando.

Por vezes desejava não me perder tanto nestes pensamentos, pois já perdi tanto à conta destes. Só gostava de ter de volta, o que de bom já tive em tempos. Na sua plenitude.

sábado, 15 de agosto de 2015

Que a Música Fale Por Mim #2


Black Veil Brides - Lost It All


I ruled the world. 
With these hands I shook the heavens to the ground. 
I laid the gods to rest. 
I held the key to the kingdom. Lions guarding castle walls. 
Hail the king of death. 

 Then I lost it all Dead and broken. 
My back's against the wall. 
Cut me open. 
I'm just trying to breathe,
Just trying to figure it out 
Because I built these walls to watch them crumbling down. 
I said, "Then I lost it all." 
And who can save me now?

I stood above Another war, 
Another jewel upon the crown. 
I was the fear of men. 
But I was blind. 
I couldn't see the world there right in front of me. 
But now I can...

 'Cause I lost it all Dead and broken. 
My back's against the wall. 

Cut me open. I'm just trying to breathe, 
Just trying to figure it out 
Because I built these walls to watch them crumbling down. 
I said, "Then I lost it all." 
Who can save me now? 

 I believe that we all fall down sometimes 
Can't you see (can't you see it) that we all fall down sometimes? 

 I believe that we all fall down sometimes 
(Can't you see, yeah) Can't you see that we all fall down sometimes?
 Yeah I believe that we all fall down sometimes


quinta-feira, 6 de agosto de 2015

Deixa

Deixa que a vida me leve
Em contrapartida, deixa que ela fique
Que me deixe ser breve
Mas que me deixe sem que se explique

Deixa que o medo me consuma
Que me faça sentir o que não sinto
Que me esconda no fumo
De todas as palavras que eu não digo

Deixa que eu grite no silêncio
Coisas que ninguém vai ouvir
Porque não se ouve quem não grita
E eu só consigo sorrir

Deixa que eu finja a verdade
Que eu acarreto as consequências
Não é inocência ou vontade
É o resultado de todas as experiência.


Deixa que eu me lembre do sentido em que me liberto
Escravo da minha própria solidão no meu império
Onde a vontade alonga a minha escrita, sou servo
Da caneta que deposita a tinta nesta folha de papel

Deixa que eu continue a deixar os outros passarem
Deixa que eu continue a dizer a eles para continuarem
Deixa que eu lhes diga para nunca pararem
Deixa que eu faça tudo, mesmo não querendo que me deixassem

Se eu vivo para os deixares desta vida e da próxima
Que me catapulta para o centro da minha incógnita
Que me controla e devora em todo e qualquer hora
Deixa que eu finja ser forte quando só peço que fechem a porta

Faço-te um último pedido, a ti que me tens lido
Peço-te que me deixes neste sítio, quero ficar sozinho
Deixa-me e parte em direcção ao teu destino com um sorriso
Deixa-me de uma vez por todas, mas lembra-te que desde o início

Te tenho mentido.


quinta-feira, 23 de julho de 2015

Sentir. Mentir. Fugir.


"Como é possível não sentires nada?", perguntam-me quando digo que nada sinto por ninguém. É simples: nós vivemos num mundo carregado de mentiras, cada uma com um peso diferente, mas que deixam a sua marca. Questiono-me sobre o motivo que leva a que as pessoas mintam e as respostas são várias. Há quem minta por medo, quem minta por querer esconder algo. Há quem minta para fugir dos outros ou para fugir daquilo que sente. Há até aqueles que mentem por não terem coragem para enfrentar a verdade. Em último lugar, encontram-se aqueles que mentem para esconder aquilo que são ou a forma como estão...é mais fácil dizer que se está bem quando se vive no caos do que pedir ajuda. Todos nós mentimos e cada mentira tem um peso diferente. O problema é quando essas mentiras afectam directamente as outras pessoas, aquelas de quem gostamos, família e amigos. Essas são as piores mentiras.

Confesso que quando me mentem, mesmo eu sabendo que estão a mentir, não me afecta tanto quanto pensam. Simplesmente desligo a ficha e quem me mente, além das devidas 'chapadas' que vai levar por eu dizer 'presente', vai deixar de receber a atenção que eu dava até ao momento da mentira. É claro, não é algo tão linear e certas mentiras eu aceito e compreendo, mas aquelas que eu vejo que são o fugir de algo, aquelas que realmente me fazem pensar, essas eu não desculpo. O que mais me custa é essas mentiras virem das pessoas que menos esperamos que o façam. O resultado é simples: eu deixo de me importar. A partir daqui, nasce o efeito dominó. Deixando de me importar, deixo de me preocupar. Deixando de me preocupar, deixo de sentir. E a soma das despreocupações leva à pergunta que abre este post. Sinceramente, estou cansado de todas estas mentiras, de todo este fugir e de todas estas ilusões com que bombardeiam os meus pensamentos e a minha pessoa. "Tens de acreditar", dizem-me. Eu já não acredito. "Tens de ser egoísta por uma vez na vida". Também não consigo. Eu dou tudo de mim e o que recebo são mentiras, mas pelo menos consigo dormir de consciência tranquila. Não importa o quão insensível me possa tornar ou o quão despreocupado com os outros me possa tornar. Eu não vou mudar aquilo que sou. Vou continuar a viver nesta realidade, por muito que na minha cabeça pinte uma realidade alternativa como sempre fiz.

Não sinto, não quero saber. Não tenho saudades de sentir nem sequer tenho saudades de ter saudades. Só sei que eu me vou manter honesto comigo próprio, independentemente de tudo. Talvez um dia tudo isto mude. Talvez alguém um dia tenha a coragem de entrar na minha realidade alternativa e a pinte com outras cores. Não que eu tenha esperança nisso, mas deixo a porta aberta a surpresas. Surpresas são sempre bem vindas.

segunda-feira, 20 de julho de 2015

As Coisas Que Acontecem


Não é difícil divagar em pensamentos sobre o nosso presente e passado. Difícil é quando prendemos esses pensamentos nos "ses" da nossa vida, no que podíamos ter feito e não fizemos ou naquilo que fizemos e não devíamos ter feito. É um processo normal de auto-avaliação que nos pode tornar melhores ou piores pessoas. Pode até ter o efeito de nos fazer fechar perante os outros. Quantas vezes já aconteceu darmos por nós a afastar-mos as pessoas de quem mais gostamos simplesmente por acharmos que uma determinada atitude pode ter sido errada da nossa parte? Falo por mim, que o faço constantemente, pese a minha tendência em querer afastar as pessoas, isto quando sou alguém que não suporta a ideia de estar sozinho, porém, faço de tudo para estar sozinho. Só que o ponto de discórdia está precisamente nesse pensamento.

Nós não controlamos a nossa vida. Por vezes, acontecem coisas que nunca esperávamos que acontecessem. Coisas que nunca tínhamos sequer imaginado. Ficam as marcas e os pensamentos começam e eu não me arrependo de numa dessas coisas que aconteceram. Uma escolha, um gesto, uma palavra, um abraço, um beijo. Nunca me arrependi nada até hoje e tive a minha grande dose de más escolhas, mas houve coisas inesperadas que aconteceram e que me fizeram sentir vivo, algo que, por vezes, me é essencial para me lembrar de mim próprio. Adorava repetir muitas dessas experiências que aconteceram, mas não depende só de mim, depende de muitos factores, de pessoas...tanta coisa! No entanto, sinto-me preso a algo. Algo que já não volta, mas que foi o melhor que aconteceu em anos. A vida dá muitas voltas, mas esta é uma volta que não voltará. Para alimentar o conflito, houve os in between moments que eu gostava de repetir como nunca quis repetir nada na vida. Foram inesperados, aconteceram com a maior naturalidade de sempre e quanto mais tempo passa, mais eu penso que talvez devessem acontecer outra vez. Foram excelentes e fizeram-me sentir vivo. Um pequeno detalhe no meio disto tudo, é que eu vejo uma luta contra aquilo que é natural e não, não é da minha parte.

Talvez essa luta seja apenas fruto do medo, talvez seja a incapacidade de admitir o que quer que seja. Talvez até seja fruto de uma constante negação. Uma negação que não é minha, mas que quando não existiu teve o condão de me marcar. Eu posso até estar errado, admito-o, mas não tenho qualquer arrependimento. Só queria não me sentir ser afastado pelo medo dos outros. E mais uma coisa: que os meus pensamentos não me prendessem num círculo vicioso que me faz esperar por algo que poderá nunca voltar a existir.

sexta-feira, 17 de julho de 2015

Que a música fale por mim #1



Anathema - Lost Control

Life.. has betrayed me once again

I accept that some things will never change.
I've let your tiny minds magnify my agony
and it's left me with a chemical dependency for sanity.

Yes, I am falling... how much longer 'till I hit the ground?
I can't tell you why I'm breaking down.
Do you wonder why I prefer to be alone?
Have I really lost control?

I'm coming to an end,
I've realized what I could have been.
I can't sleep so I take a breath and hide behind my bravest mask,
I admit I've lost control
Lost control...


quinta-feira, 2 de julho de 2015

Vais Desistir?

Hoje escrevo para ti. Sim, para ti que lês atentamente as coisas que eu escrevo, umas vezes fictícias, na sua maioria verídicas. Muitos desabafos, outros que nem sei em que categoria colocá-los. Talvez sejam só traços de uma insanidade ou então são meros desabafos de alguém que tu conheces demasiado bem, mas que publicamente dizes não existir, quando na verdade ele está aí, contigo.

Explica-me uma coisa; como é que consegues estar tão tranquilo com situações onde muitos temem e tremem, mas tens medo da rejeição? Ninguém te vai rejeitar...pelo menos num todo. Há sempre quem precise de ti em algum momento, mesmo que seja só para aquele momento. Tu tens o estranho dom de te fechares no teu mundo onde ninguém entra, porque te assusta tanto e tu tens tanto medo que temes ser humilhado por isso. Rejeitado e humilhado. Sabes quem era assim? O mesmo tipo que escreveu as palavras que encontras na foto acima. Eu sei que tu o conheces. Sei também que procuras o mesmo que ele, apesar de forma diferente. Procuras fixar-te, procuras criar a família perfeita, aquela que tu tens na cabeça e que queres desde pequeno. Coincidência ou não, tu e ele tinham a mesma idade quando começaram a idealizar a família perfeita, só que tu não viste os teus pais separarem-se como ele viu. Queres mais semelhanças? Vocês sempre quiseram a atenção toda, mas sempre fizeram por se afastar dessas atenções, só diferem num aspecto: é que ele conseguiu conquistar o mundo e tu não. Porque vocês os dois até têm a particularidade de serem geniais quando colocam o coração a funcionar com a criatividade. Podia continuar, mas é melhor parar por aqui. Afinal de contas, nem tu queres que tudo seja igual, certo?

Eu sei o teu valor e sei do que és capaz. Sei que estás limitado ao que te deixam fazer e não ao que tu és capaz de fazer. Tu deixas-te abater por isso, mas não devias. Sabes porquê? Porque o facto de tu batalhares por mudar e por fazer é o que lhes está a fazer confusão. É isso que faz com que te puxem para trás. Por muito que te doa, não desistas, porque não vale a pena. Parte para cima deles com todas as tuas forças. Eu sei bem do que és capaz, assim como eu sei que tens noção disso. Tens é um defeito muito grande, que é tentares agradar a toda a gente e tentares ser perfeito até no mais pequeno detalhe. Tens falhado. Não procures tentar ser perfeito. Procura apenas melhorar aquilo que és. Tu já viste como consegues chegar às pessoas com tanta facilidade, quando assim o queres? É isso e manteres-te fiel a ti próprio. Não achas que isso já é perfeito o suficiente? Não esperes pela minha opinião porque, sejamos sinceros, a tua opinião será também a minha opinião. Podemos sempre guardá-la para nós e deixar que os outros digam o que quiserem.

Mas não é por isso que te escrevo. Escrevo-te para te perguntar: não estás farto de querer o impossível? Não estás cansado de tudo aquilo que tu queres para ti, tudo aquilo que é perfeito para ti, simplesmente não te querer a ti? Eu sei que custa veres os outros fazerem o mesmo que tu e só tu seres vítima de um tratamento diferenciado dos outros. És diferente e sempre foste. Nada do que tu venhas a fazer irá fazer com que as coisas mudem. Essa tua forma ridícula de pensares que és capaz de ser aquilo que os outros querem é humilhante para ti própria. Tu, que odeias ser humilhado, humilhaste a ti próprio. E esse teu medo da rejeição? É ele que te faz ser rejeitado. Foste criado com valores, grandes valores, mas repara, tudo o que tu fazes é cuidar dos outros. Eles acomodam-se e depois passas a ser apenas isso mesmo: alguém que cuida dos outros. Vê o que já conquistaste. Vê as tuas relações. Perdeste tudo aquilo que quiseste cuidar com tanta atenção, com tanto carinho. Tu perdeste isso tudo e vais perder mais. Acredita em mim quando te digo que as batalhas que estás agora a combater, são batalhas que tu vais perder. Todas. Uma por uma. Vais perdê-las só para chegares a um nada. Eu sei que tu dizes para ti que os outros deviam saber que quando tu caíres, já tu viste todos caírem e eles nunca te verão a ti cair. Até acredito em ti. Acredito genuinamente que ninguém te verá cair. Ninguém te verá cair porque quando tu caíres já ninguém precisa de ti e passarás de "muito" a "nada". Acho que estás perto de atingir esse nada. Diz-me se valeu a pena cuidar dos outros como cuidas. Valeu? Não me parece, mas o que dizes tu?

No fundo, sei que tens esperança em conquistar essas batalhas. Uma esperança tão grande quanto a queda que tens pela frente. Deixa para trás. Segue a tua vida. Tu mereces ser tratado da mesma maneira que tratas os outros. Dás tudo de ti, mas ninguém dá um terço de si por ti. Segue em frente. O fim ainda está longe, apesar de pensares o contrário.

quarta-feira, 1 de julho de 2015

Hipócritas cansam-me

Há uma coisa que eu não consigo entender nas pessoas. Passam a vida a queixar-se de um determinado aspecto, que lhes faz mal e que não se sentem bem com isso e que querem seguir um novo caminho. A vida abres-lhes a porta para a mudança e quando já só falta fechar a porta para seguir caminho, voltam para trás. Faz-me uma confusão tremenda isto. Não por ser a vida dos outros, mas porque essa atitude acaba por me afectar directamente. Como? Porque enquanto eu tento ser o mais honesto possível ao tentar ajudar as pessoas quando me pedem ajuda, estou a dar também o melhor de mim para os outros, estou a esquecer-me que também eu preciso de mim para ajudar os outros e, acima de tudo, estou a dar cabo de mim por ir adiando a resolução dos meus próprios problemas tudo para que os outros possam andar com um sorriso na cara! Estou cansado disto tudo. Ou me pedem ajuda porque realmente precisam dela ou calem-se de uma vez por todas com os "estou mal e quero mudar". Eu estou farto de ser "o melhor amigo das horas péssimas, depois podes voltar para a prateleira e faz de conta que não me conheces". Isto é ser hipócrita. E a hipocrisia paga-se cara quando me afecta directamente a mim.

"Nem parece um post dos teus, dos que costumas fazer aqui". Pois não. Porque não é. Porque me cansa ter que ver situações com as quais não concordo. Dói-me ver pessoas mandarem-se para um abismo, pedirem-me que as salve e depois atiram-se outra vez. Que sirva de aviso a todos os meus amigos que lêem este meu blog: se eu vos ajudo é porque acredito cegamente que vocês têm muito mais para dar, mesmo que a vossa felicidade signifique vocês terem de sair da minha vida. Só não cometam os mesmos erros uma e outra vez. Porque enquanto eu fizer algo por vocês é sinal que me preocupo e que de alguma forma vocês fazem parte do meu "espaço", o qual vocês deviam saber melhor que ninguém que é difícil de entrar. Não estou a dizer que vocês terão aqui um inimigo. Nada disso. Vocês são o vosso próprio inimigo e o pior deles todos, sabem porquê? Porque são uns conformados da pior espécie. Vamos aos exemplos práticos só para finalizar este post.

Eles: sabes que és traído pela tua namorada, acabas com ela, começas a refazer a tua vida, mas assim que a tua ex te diz "volta para mim, tenho saudades tuas e nunca mais te vou magoar" parecem cachorrinhos a correr atrás do osso. Resultado = sai mais um par de marfim para a mesa 1.

Elas: podem ser traídas, podem ser gozadas, podem ser usadas, podem tudo. Acabam com o namorado para seguirem um caminho melhor. São livres de fazerem o que quiserem. E o que escolhem fazer? Voltar para a pessoa que vos trata de todas as formas menos da forma que merecem. 

Agora digam-me ambos: gostam de ser usados(as)/gozados(as) ou são só masoquistas? Seja qual for a resposta, não me usem nem venham dar uma de coitadinhos(as). Eu tenho mais que fazer.


segunda-feira, 29 de junho de 2015

I Should Change Myself

"Oh my god is this really the end? I guess I'm not alright. I just can't tell what is real anymore. I'm trapped in my own hell"
And I feel like I'm stupid enough to keep making the same mistakes over and over again. I know how to make things right and I know how to do everything to improve myself and my life, but instead of do so, I do the opposite. I do love a good battle, but why should I be my own enemy? Why can't I just simply let things go instead of trying to flip every single sentence? The resolution is simple: be quiet. Instead of do the talking, I should do the silence. Because it hurts. It upsets me a lot. I lost everything I want everytime I open my mouth or I type my words. I'm sick of letting my mind do the talking. It's like bitting my tongue and expect it won't hurt. But it does. And it's painful.

One thing I should be aware of is that I am, sometimes, hard to understand. I'm always kidding so nobody can see what is behind this smile I carry every single day so people can't see what is really inside of me and how I can't live with myself most of the times. Why do I hide myself behind my fake smile? So people don't bother with me. I don't want anyone to cry for me and I don't want to get back to the psychologist. I don't need none of those things. I just need to overcome this by myself once again, even if I have to lose the most important people in my life. They're not many, but they're what makes me who I am. But what am I? I'm an actor who knows how to play the "everything's alright and I'm strong enough to carry the world alone". And who I really am? An hopeless romantic in the searching of that princess of mine who will make me the happiest man in the world and who will wash away all the pain or, at least, who won't let me think about all the bad things I have in my head.

I'm truly trying to change myself to a better man. I'm trying to play it safe, but when I do that, I'm to slow to conquer what I want. Again, I know how to make it happen. But I feel like my time is slipping away between my fingers. I feel like my time is slowly approaching to an end unless something changes everything. But how can one change that when all I do is making mistakes over and over again?

I feel like there's no way out. So tell me: will you ever leave me?


terça-feira, 9 de junho de 2015

Tu nem imaginas como...

...gosto de ti. Sabes, como se gosta de uma pessoa, mas não de uma pessoa qualquer. Gosto de ti, como uma pessoa gosta inexplicavelmente de outra. Não sei bem quando é que comecei a gostar de ti. Pelo contrário, sei o porquê de gostar de ti. A ilusão de um pensamento mais negativo poderia dizer-te que gostei de ti pela tua fragilidade, por estares tão magoada como eu estava. Fazer de duas dores um ponto comum entre duas pessoas...o motivo mais cliché de sempre, mas que acontece. Porém, não foi isso que me fez gostar de ti. A única coisa que isso fez, foi aproximar-me de ti e ler-te como tu merecias ser lida. Ler-te como eu gostava que me lessem a mim. Sem segredos, sem perguntas, sem nada. Um simples olhar nos olhos e ver para lá do que demonstras. Eu tornei-me bom nisso. Bom o suficiente para evitar as pessoas o mais que consigo. Lá terei perdido muito, mas nem isso me assustou. Acontece que gosto de ti por causa de outros clichés. Um problema poderia ser o facto de eu não gostar de clichés. Não gosto, mas repara que foi na procura de algo diferente que comecei a gostar de ti. Eu encontrei esse algo diferente, esse algo que nos conecta a uma mesma linha de pensamento.

Gostei de ti a primeira vez que olhei para ti. Não posso negar isso. Nem quero, para te ser sincero. Porque eu vi algo, para além de te ter visto a ti. Vi algo que me pareceu ser a 'coisa' mais certa para mim. Gostava de estar certo. Gostava de um dia poder dizer-te que estava certo. Dizer-te o que era esse algo que vi. Aliás, eu comecei este texto por dizê-lo. Gostava que o tempo confirmar-se que esse 'ti' és tu. Mas sei que tu nunca irás perder o teu tempo a olhar para mim. Tu irás olhar para todos os lados menos para o lado em que eu estiver. Eu nada posso fazer. A única coisa que irei fazer é continuar a teu lado, a cuidar de ti sem tu saberes, a ser o (a)braço que te segura e te impede de cair e que te irá fazer sorrir em qualquer altura. Serei aquele que te vai dizer, sempre que estiveres a sorrir por causa de outra pessoa, para me deixares para trás e te preocupares apenas e só contigo e com a tua felicidade. Vou mentir-te. Vou dizer-te que estou bem, vou fazer para que tu penses que sou forte e que nem o mundo inteiro é suficiente para me derrubar, mesmo quando um simples sopro seja forte o suficiente para que eu caia. Sem estrondo. Mas para ti serei o mais forte. Serei algo que tu também queres para ti e eu vou dizer-te que não. Repara, eu gosto de ti ao ponto de te proteger de ti e de mim. Gosto de ti ao ponto de te dizer que tu não tens de suportar o peso do mundo e que eu faço e farei sempre por ti. E tu, de coração cheio e acarinhada com tamanha preocupação, vais acreditar em mim e vais deixar-me ajudar-te, mesmo quando eu não me sei ajudar a mim próprio.


Tu nunca irás olhar para mim, mas eu queria que soubesses que gosto de ti.