segunda-feira, 29 de dezembro de 2014

Andas às voltas com a minha memória.

Foi à pouco tempo. Eu acabado de chegar à Universidade para tirar aquele que pensava ser o curso certo para mim. Tu, prestes a acabar, faltando-te apenas um mísero ano que passou a correr. Sem saber bem o que fazer, lá fui ganhando espaço em ti, aos poucos. Espaço que me deu fez dar de mim algo que já não dava há algum tempo. Era tentar surpreender-te através das coisas que escrevia, tentar fazer-te sentir mais mulher, tentar com que tu te sentisses importante para alguém.
Penso ter conseguido. Tu estavas enfeitiçada por uma outra pessoa, mas eu lá batalhei o meu caminho até chegar a ti. O início, sempre perfeito, não há falhas, não há erros, não há nada. Apenas uma paixão que parece que não acaba, que parece inabalável. Tive a ajuda de uma pessoa importante para ambos, alguém que esteve sempre presente no bom e no mau. Tu sabes de quem falo. Sabes, porque também sentiste essa ajuda. Não sabes das conversas que tive, das vezes que duvidei, de quando eu dizia "talvez não seja isto que ela quer, de qualquer forma vou lutar e vou tentar. Hei de sair de cabeça erguida seja qual for o resultado". E o resultado, nós sabemos qual foi.

Um dia vou usar a nossa história como exemplo de que vale a pena lutar quando acreditamos que é possível. O desfecho, esse não importa para já.

Recordo-me das mensagens que te mandei a desejar um bom Natal. Nunca esperei ser a tua prenda quase duas semanas depois. Recordo-me de ver as tuas fotos da passagem de ano e mesmo do teu aniversário e pensar "ela está simplesmente linda!" Por algum motivo eu pensei isto. Sabes, nunca quis saber do que os outros pensavam ou diziam, apenas me preocupava em fazer-te sorrir e o resto, eu via com os meus olhos. Não sei se é pela proximidade da data, mas aqui me confesso em como tenho tido saudades tuas. Será que também tu tens saudades minhas? Eu não sei. Podia atrever-me a fazer mais perguntas às quais eu sei a resposta, mas não as farei por um simples motivo; prefiro guardá-las para mim. Até porque, mesmo que seja irrelevante para mim, não quero deixar ninguém a pensar em nós. Deixo isso ao acaso do destino, se assim for.

Quero apenas que saibas que às vezes tenho saudades do nosso tempo, por muito curto que possa ter sido ou parecido. Eventualmente posso deixar de sentir essas saudades quando a minha cabeça e o meu coração estiverem na posse de uma outra pessoa. É normal. Só te posso é garantir uma coisa: vou sempre querer que sejas feliz, muito feliz.

Despeço-me com aquilo que eu ouvia, quase em repeat, há um ano atrás, quando corria atrás de ti.

domingo, 30 de novembro de 2014

Observo e Questiono; o objectivo é melhorar.

Todos os dias ponho em causa a minha forma de ser, a minha forma de pensar, a minha forma de agir. Todos os dias concluo que não estou de todo errado, mas poderia melhor um ou outro aspecto, como o facto de ter a tendência de arrastar as coisas até à última da hora (cumpro prazos, mas podia fazer as coisas de forma mais calma) ou não dizer mais vezes o que realmente penso. Se o primeiro é uma questão de atitude, o segundo é mais complicado de mudar porque as minhas palavras têm alvos específicos e o alcance destas palavras é bastante grande por causa da quantidade de pessoas que afecta. É uma espécie de maldição de Midas.
Não deixa de ser curioso observar certas coisas que vão acontecendo. Pessoas que se davam bem com toda a gente e que faziam do mundo um lugar melhor, hoje em dia conseguirem arranjar conflitos com toda essa gente que gostava das pessoas por culpa das influências. Sim, as influências.


Porquê as influências? Reparemos no seguinte: há quem diga que eu sou uma pessoa negativa, que essa minha negatividade os afecta e que tem tendência a puxá-los para baixo, mas...essas mesmas pessoas ganham mais força, ficam mais positivas, mais confiantes tendo-me por perto. No outro lado da bancada, temos as pessoas que me dizem que eu sou uma boa influência, mas quando trocam a minha influência pela de outra pessoa...caiem vertiginosamente ao ponto de ficarem fechadas num mundo solitário, num mundo onde se sentem sozinhas, onde se tornam...negativas.

Não quero com isto dizer que sou uma boa influência, pelo contrário, julgo-me uma má influência, mas não será caso para pensar? É que já vi pessoas nas mesmas condições agirem de formas distintas comigo Presente e comigo Pretérito Imperfeito. Quero com isto dizer que, comigo Presente, não havia espaço para o negativismo; comigo Pretérito Imperfeito, lá vai aparecendo um negativismo pouco comum, um sentimento de solidão que não se explica lá muito bem.

Há que valorizar as coisas boas. E verdade seja dita, tenho-me rodeado de coisas boas e tenho feito para que as pessoas à minha volta sejam felizes, mesmo que algumas delas um dia me deixem para trás. Só que há uma minoria (conto pelos dedos de uma mão) que não me parece que o vá fazer.

Será que sou eu que estou errado?



quarta-feira, 12 de novembro de 2014

Fechado nos meus próprios Pensamentos

Pergunto, por vezes, qual o motivo de eu ser tão bem visto aos olhos dos outros. Não consigo encontrar uma resposta, nem mesmo quando penso nos mil e um elogios que me fazem.

Tenho como hábito, observar tudo o que me rodeia, testar constantemente os outros, ver do que são capazes, de que fibra são feitos e se realmente agem de acordo com aquilo que dizem ser. Poucos são aqueles que realmente me surpreendem - admito que ao longo do meu crescimento perdi a noção de surpresa, a partir do momento em que todos se tornaram previsíveis - e aqueles que o fazem, podem dizer que conquistaram a minha confiança.

Sim, tenho dificuldade em dar a minha confiança a alguém, mesmo aqueles que eu considero amigos mais chegados - nunca percebi o conceito de hierarquização, mas penso que é isto - passam por muito até chegar ao ponto em que eu digo para mim mesmo "eu confio em ti". Uma longa batalha portanto, mas a qual ainda há quem a arrisque fazer.

Durante os anos, muitos foram aqueles em quem confiei, mas só uma minoria foi ficando. Dentro dessa minoria, estão agora a entrar alguns, não muitos, que eu imagino incapazes de me fazerem sentir mal e deitarem-me abaixo. Só que as maiorias, oh, essas desgraçadas, que me fizeram sentir importante, que me fizeram sentir que importava e depois...depois meteram-me de lado.

Outro factor de discordância que me afecta, é diferentes atitudes para semelhantes cenários. Chamem-me arrogante, mas ainda não vi ninguém fazer algo melhor que eu nesses casos, não vi ninguém que metesse mais sentimento, que lutasse realmente e que demonstrasse o real valor que tem. Não...vi cenários vazios de sentimentos, cenários de "sim, quero fazer, mas vou só usar os clichés"...a sério que as pessoas preferem isto a algo único e autêntico? Isto leva-me a perguntar: porque escolhem as pessoas ser aquilo que sempre disseram que não seriam? Depois, é claro, eu é que estou mal, errado. Acredito que sim, que eu esteja errado. Afinal de contas, fui eu que escolhi ser diferente; fui eu que tomei as decisões que me levaram aos caminhos mais duros; fui eu, pela minha cabeça e pela minha vontade própria, que me guiei à pessoa que sou hoje. Talvez tenha sido nisso que eu tenha errado.

Porque eu era único, mas ainda não era autêntico. Eu nunca quis ser perfeito.

sexta-feira, 31 de outubro de 2014

Gostava que soubesses uma coisa (desabafo)


Tenho saudades tuas. Sim, de ti! Tenho saudades de falar contigo, das partidas que me pregavas, de quando eu pegava contigo e tu ficavas sem saber como reagir. Saudades de quando te dizia coisas e tu respondias algo e logo a seguir desconversavas ou de quando te calavas e ficavas a olhar como se eu tivesse dito aquilo que te ia na cabeça.

Sabes, a tua voz, o teu jeito, sinto falta disso tudo. Não é que não consiga viver sem isso, até me tenho saído razoavelmente bem nesse aspecto, mas sinto falta de tudo isso. É estranho. Eu lido com pessoas diferentes, falo com pessoas diferentes, até com pessoas que conviveram contigo, mas elas não são tu; essas pessoas não ocupam o teu lugar, não conseguem fazer com que eu tenha um significado. Essas pessoas também são enormes, mas tu tens algo mais, algo diferente, algo único.


Tu és a única pessoa que, até agora, conseguiu fazer por mim aquilo que eu não consigo fazer a mim próprio. Tu és a única pessoa que, até agora, me fez ver como é que eu era.

Não sei porque deixei que o tempo fosse passando, mas sei que quando me perguntavam por ti, eu tentava desligar-me do arrepio que sentia na espinha. De uma coisa tenho eu a certeza. Tenho saudades tuas!

segunda-feira, 15 de setembro de 2014

Resiliência

«Hoje à tarde a dor causada pela minha solidão penetrou-me tão profunda e intensamente que eu tive consciência de que a força que obtenho ao escrever estas coisas se gasta assim, força que não compensava destinar a este fim» Franz Kafka

Momentos delicados, períodos conturbados, muitas dúvidas e pouquíssimas certezas. É toda uma mistura de sentimentos, pensamentos, devaneios, desabafos, revoltas pessoais, desilusões e ilusões.
Fosse esta uma obra de ficção e teria tanto ou mais sucesso que uma qualquer mega produção. Em momento algum, pensaria eu que uma das maiores certezas se transformasse em fumo e fosse afastada como cinzas atiradas ao mar. Perdi-me dentro de mim e também eu fui levado pelo oceano para outras paragens -  uma metáfora realista - que outrora eu já conheci. A dor, essa, foi mais sentida, mais consciente e racional, mas a vida continua e eu procurei sair dessas paragens outrora minhas. Arranjei forças que não tinha, fiz coisas que não queria e chorei lágrimas que pensava já não existirem em mim.

Recompus-me, tentei desculpar-me a mim e desculpei os outros. Tentei não desistir dos outros como forma de não desistir de mim. E voltei a esboçar, ainda que tímida e dolorosamente, um sorriso, voltei a caminhar, voltei a motivar-me, reencontrei-me com velhos amigos e conheci novas pessoas, umas mais marcantes à primeira do que outras...mas de que me valeu? Valeu cair, valeu voltar a bater lá bem no fundo, voltar a ser destruído, valeu mais lágrimas, valeu tudo. Foram más notícias, foram críticas, foram palavras desnecessárias, foi emocionar-me com a saudade de quem já não posso abraçar, foi lembrar-me de velhos tempos de quando o meu "ser feliz" se resumia a ter uma bola de futebol e conseguir retribuir o carinho que recebia, tudo isto assente numa data que tanto significava, mas que uma ligeira faísca fez com que tudo se converte-se em cinzas num incêndio de grandes proporções - uma metáfora da efémera viagem - e da qual eu não falei durante a dita.

Tudo culminou num abanar de cabeça e numa aceitação de que os sonhos morreram. Não me é permitido sonhar mais. A realidade é dura e eu sonhei por demasiado tempo. Agora tenho de lutar pelo único sonho que ainda me é possível: construir a minha própria família. Mas já nem esse me parece vir a ser possível...


terça-feira, 19 de agosto de 2014

Um desabafo muito pessoal; posso criticar?

«A crítica é algo que pode ser evitado não dizendo nada, não fazendo nada e não sendo ninguém.» John Garland Pollar;
«Sem a liberdade de criticar não existe elogio lisonjeiro.» Pierre Beaumarchais.

Eu tento evitar ao máximo grandes e longos testamentos sobre a minha personalidade, até porque tendo sempre a criticar-me sem olhar para as minhas virtudes, porém, desta vez é diferente e estive a pensar em algo que me disseram hoje. Sempre vi na crítica, um espaço não necessariamente negativo como alguns podem entender que o é, mas sim como um espaço onde tendo a apontar as coisas que gosto e não gosto de algo ou alguém. E quando crítico algo, bem ou mal, há quem olhe só para a parte do "é uma crítica, não está satisfeito".

- Ora bem, quando eu crítico algo não é por insatisfação, mas sim pela minha liberdade de o fazer, porque tenho uma tendência a esmiuçar tudo até não haver mais detalhe nenhum que encontre na altura da dita crítica. Também eu tenho bandas, cantores, actores, produtores, filmes, livros, imagens, pinturas, objectos, desportistas, pensadores, o que quiserem, que idolatro, que vejo como exemplo e dos quais retiro ensinamentos bons e maus. Só porque gosto é perfeito? Não. Tenho de idolatrar como se fosse algo superior a mim? Não. Aprendi, ao longo dos anos, que Arte, Desporto, Filosofias e Psicologias, podem ser consideradas ciências. Talvez. Perfeitas? Não. A Arte é imperfeita.

O Desporto é imperfeito. Filosofias e Psicologias batalham constantemente entre si. Não posso, com isso, apontar o que está errado e o que está correcto? É proibido por alguma lei universal? Eu não vivo, nem nunca vivi, para dogmas. Só porque 5 biliões de pessoas gostam de A, eu já não posso eu gostar de B e mesmo assim ver-lhe defeitos? Porque tenho eu de levar com o conformismo de ter de gostar de A sem a liberdade de ver defeitos? Vamos a exemplos.

- Ayrton Senna, para muitos considerado o melhor piloto de sempre da Fórmula 1, é uma pessoa que tenho como exemplo por ter sido alguém que ia além do limite, não desistia, quando para os Engenheiros das suas equipas achavam que o carro estava perfeito ele, Ayrton, encontrava defeitos. No entanto, todos se lembram do "Mestre da Chuva". Enquanto piloto, tinha um feitio de 8 ou 80. É um exemplo para mim, na parte boa e na parte menos boa crítico, mas é um ídolo para mim;

- Rui Costa, o eterno menino da Luz, do Benfica. Um exemplo enquanto jogador, pela maneira como jogava e pelo seu profissionalismo. No entanto, enquanto dirigente, já me demonstrou certos aspectos que eu não gostei. Continuo a vê-lo como exemplo, continua a ser um ídolo para mim;

- Freddie Mercury, uma das melhores vozes do Rock. Podem dizer que o homem tinha uma voz fantástica, que a tinha, no entanto...até quem o acompanhou e/ou estudou, viu falhas nele. É por isso que perde estatuto? É por ele ter sido o que foi, que eu deixo de poder criticar aspectos ou falhas? É preciso eu ser melhor? Mais de metade daqueles que o criticam não o são.

- Slipknot, a minha banda favorita, com o meu baterista de eleição. Não posso dizer que o último álbum deles foi bastante bom, mas que já fizeram melhor?

- Dr.House, uma das melhores séries e uma das melhores personagens que já vi. Tem falhas. Não deixo de ter a série como uma das minhas favoritas e de observar cada detalhe, cada pormenor, nada. Adoro a série, mas há lá coisas que são tiros ao lado.

E podia alongar-me. Podia falar de mais pessoas, de filmes como "The Shining", "Friends With Benefits", "Muppets", "Smurfs", "The Rush", qualquer filme que entre na minha lista de favoritos. Não é por adorar os filmes que vou deixar de ver falhas. Até no filme "Max Payne", que para mim é uma adaptação um bocadinho diferente, mas muito boa, vejo falhas. E nem é por adorar o jogo (que também tem falhas), é porque adoro todo o script.

Caros, deixem-me ser livre de dizer o que eu quiser, de criticar, de não me mostrar satisfeito com tudo. Deixem-me apreciar tudo a meu redor. Deixem-me criticar para o bem e para o mal e voltar a apreciar. É o meu gosto pessoal e o meu modo de ser, de "sentir" as coisas. Já fecharam os olhos e sentiram uma música ou uma frase? Já alguma vez fecharam os olhos depois de ver uma imagem e tentaram ver os detalhes que vos vai na cabeça? Já tentaram não bajular algo?

- Já pensaram que para algo ser aclamado é por ter sido vítima de uma...crítica?

«Ver com os próprios olhos, sentir e julgar sem sucumbir à sugestão da moda do dia, saber dizer o que se viu e sentiu, numa frase sucinta ou até mesmo numa palavra artisticamente modelada - não é maravilhoso? Será preciso ainda felicitar-vos?» Albert Einstein

"O crítico é aquele que é capaz de traduzir de uma outra maneira ou com novos materiais a sua emoção perante as coisas belas." - Oscar Wilde

terça-feira, 29 de julho de 2014

Ele e o Mundo - Escrita Livre #1

«No fundo, o que importa e será sempre verdade, é que mesmo nos piores momentos, tudo pode mudar numa fracção de segundos; uma pessoa, um gesto, um objecto, uma palavra, um silêncio ou um olhar»

"Ele só queria que o mundo acabasse. Ao acabar o mundo, acabava tudo o que o perturba. Não ao mundo, mas a ele. Porque ele está cansado. Tanto percorreu, tanto que podia ter alcançado, mas perdeu tudo. Perdeu a esperança, perdeu o acreditar, perdeu os sonhos, perdeu a própria realidade; ele perdeu o mundo e o mundo perdeu-o.

Foi durante a sua maior derrota que procurou abrigo num local isolado. Isolou-se do mundo, isolou-se das gentes, isolou-se de si próprio. Aos poucos, cada vez mais distante, conseguia isolar-se da sua condição humana, tornando-se alguém insensível, capaz de disfarçar todo e qualquer tipo de sentimento sem no entanto o sentir.

Até ao dia em que se começou a rever nos outros. Começou a rever os seus defeitos e as suas virtudes, começou a ver os erros e tentou evitar os outros de o fazer. No meio de tanto isolamento não se conseguiu desprender de si mesmo tanto quanto ambicionava e pensava. E foi nesse momento que alguo o fez despertar. Após tantas voltas, algo o faria ver que, pelo menos, uma ténue parte do mundo não desistiu dele quando o podia ter feito bem antes de o conhecer. E é por isso que hoje em dia, ele se agarra com toda a força que tem a essa parte tão ténue do mundo. É tudo o que lhe interessa, pois foi essa parte tão pequena e insignificante para todo o mundo, menos para ele, que lhe devolveu a capacidade de sonhar, a capacidade de acreditar, a realidade e um novo ânimo.

Porque ele está cansado do mundo e o mundo desistiu dele; pelo menos na sua maioria porque aquela ínfima e ténue parte do mundo que não desistiu...essa terá toda a força que ele tiver e ele nunca irá desistir dela como o mundo desistiu dele."

- Espero que tenham gostado deste pequeno texto. Porque há dias assim, em que me desligo da realidade e deixo que a imaginação escreva, escreva e escreva...


terça-feira, 8 de julho de 2014

Estar como um todo ou não estar de todo

«Tudo muda com o passar dos anos. A mudança é uma constante da vida e condição humana. Será, então, necessário que essa mudança seja sinónimo, na maior parte das vezes, de passar de mais importante a irrelevante?»

Existem momentos na nossa vida em que pensamos nos caminhos que escolhemos para nós e nas pessoas que quisemos ter a nosso lado. Este último fim-de-semana (é assim que se escreve no novo acordo ortográfico, certo?) foi um desses casos em que me perco a pensar em todos esses pequenos pormenores.
De facto, foi neste fim-de-semana que descobri certas coisas que, não me tendo causado qualquer tipo de dor, me deixaram um bocadinho desiludido. Alguma vez disseram para vós próprios que vão descobrir algo? É que eu digo isso constantemente quando, e usando um termo popular, "adivinho chuva". E é com muita frequência que tenho este "sexto-sentido" de pressentir que algo não está bem ou que há algo mais para lá do que me foi contado. A minha postura é algo como sentar-me e esperar. Eu esperei e, num dos casos que, noutras condições, me poderia ter mandado de volta para sítios aos quais espero não voltar, descobri o que tinha para descobrir.

Tenho um feitio terrível. Dou tudo por uma pessoa de quem goste muito e uma vezes dou-me bem (os poucos amigos que tenho, têm-me em boa conta, dizem eles), outras dou-me mal e elas acabam por se afastar de mim. Depois há aquelas que não sei como reagir.

Sempre achei estranho e talvez o defeito seja meu. Talvez. É verdade que tenho prateleiras cheias de brinquedos e memórias da minha infância, bem como de livros. Os livros? Li todos e se necessário volto a lê-los ou a usá-los na busca de algo. Os brinquedos? São as minhas memórias e foram parar às prateleiras para que eu nunca me esqueça visualmente daquilo que eu já fui um dia; inconscientemente feliz. Nunca vi nenhum daqueles brinquedos ou livros como um objecto que, quando novo, era o meu preferido. Nunca os arrumei quando me fartava para nunca mais lhes mexer. Até porque durante muitos e longos anos, os meus brinquedos favoritos eram, por norma, os mais antigos...pelo seu significado.

Sim, estou a falar de brinquedos e livros e a dizer que não os vejo como objectos. Podia estar a falar do teclado midi com o qual vou tentando construir melodias no meu computador. Eu quis o teclado e quero mais material de música...mas não é por uma questão de confiança, porque podia fazer tudo usando o teclado e o rato do pc. Não tenho uma lista de coisas que quero. Tenho coisas que quero, que gostava de ter ou que tenho. E todas essas coisas, não são objectos. Para mim, todas essas coisas são memória, são brinquedo, são livros...são algo que me marcará para sempre. São coisas que um dia serão memória, mas serão boa memória.

Porque também eu, enquanto ser racional, por vezes tão acarinhado e tratado como alguém que, na minha terrível forma de ser, é tão importante para as pessoas ao ponto de mexer com a vida delas, também sou, por vezes, visto como um objecto...e eu não tenho perfil para ser o brinquedo novo que quando já não serve acaba na prateleira ou no baú e nem paciência tenho para ser o tipo "só preciso de ti quando estou mal". Ou estou como um todo ou não estou de todo.

sexta-feira, 27 de junho de 2014

Parabéns Língua Portuguesa.

« Apesar das ruínas e da morte, 
Onde sempre acabou cada ilusão, 
A força dos meus sonhos é tão forte, 
Que de tudo renasce a exaltação 
E nunca as minhas mãos ficam vazias. »

Sophia de Mello Breyner Andresen, in 'Antologia Poética'


No dia em que se celebram 800 anos de existência da Língua Portuguesa e numa altura em que estamos muito próximos dos 10 anos da morte (2 de Julho) de uma das escritoras e poetas que eu tanto aprecio (facto curioso, todas as minhas professoras de Português adoravam Sophia de Mello Breyner Andresen), vejo-me forçado a escrever sobre esta língua da qual tanto orgulho sinto, mas que tantas e tantas vezes vejo ser mal-tratada.

É certo e sabido que, ao longo destes 800 anos, muitos têm sido os acordos ortográficos. Eu ainda sigo o antigo, pois um facto não é um fato e o acento circunflexo em "vêem" foi o que me ensinou a distinguir o verbo ver na terceira pessoa do plural para o verbo vir na mesma terceira pessoa. Espero que as minhas professoras de Português tenham orgulho em mim por isto, mas que me continuem a dar pela cabeça se assim o entenderem. Não concordo com certos aspectos (ou serão aspetos?), mas evolução é isto. Basta compararem um texto de Gil Vicente e Luís Vaz de Camões para perceberem isso. Não é suficiente? Comparem com Eça de Queirós e Fernando Pessoa. Ainda é insuficiente? Juntem Sophia de Mello Breyner Andresen ou Florbela Espanca. Porque não Miguel Torga? Juntem-nos a todos. Vejam a evolução.



Não escondo o facto de saber que recentemente houve uma homenagem a Sophia de Mello Breyner Andresen na Casa da Música do Porto. Um gesto bonito e merecido. Tenho pena de não ter ido nem ter sabido que isto iria acontecer. Mesmo sabendo, não poderia ir por questões de deslocação e alojamento.

Celebra-se assim os 800 anos da Língua Portuguesa. Assinala-se dentro de dias os 10 anos da morte de Sophia de Mello Breyner Andresen. Parabéns à Língua Portuguesa, a única que língua do mundo que sabe o que é ter saudade.



Com Fúria e Raiva


« Com fúria e raiva acuso o demagogo 
E o seu capitalismo das palavras 

Pois é preciso saber que a palavra é sagrada 
Que de longe muito longe um povo a trouxe 
E nela pôs sua alma confiada 

De longe muito longe desde o início 
O homem soube de si pela palavra 
E nomeou a pedra a flor a água 
E tudo emergiu porque ele disse 

Com fúria e raiva acuso o demagogo 
Que se promove à sombra da palavra 
E da palavra faz poder e jogo 
E transforma as palavras em moeda 
Como se fez com o trigo e com a terra »


Sophia de Mello Breyner Andresen, in "O Nome das Coisas"

Amália Rodrigues - Fado Português

quarta-feira, 25 de junho de 2014

Passos: um para trás; dois para a frente.

«É sempre complicado quando queres dar um passo em frente. As saudades do que fica para trás fazem-te duvidar do que podes conquistar. O medo de perderes ou errares o passo faz-te querer ficar onde estás. Arriscarias um salto de fé?»

É com alguma estranheza que observo o que me vai acontecendo e o que vai acontecendo à minha volta. Ninguém diria que à pouco mais de uma semana atrás estava a ponderar como atingir o ponto perfeito de esconder tudo o que eu tivesse de emoções. E consegui, até certo ponto. Não verti uma única lágrima, apesar de ter estado bem perto. Dei um passo em frente nesta cruzada de esconder emoções...passei bastante tempo sem sorrir. Um sorriso sincero.

É claro, para a família tinha sempre uma gargalhada ou um sorriso, mas daqueles como quem diz "age normalmente, que assim ninguém se preocupa". É difícil, não o recomendo a ninguém. Dói-nos e come-nos por dentro. Como se nos tivessem a arrancar qualquer pedaço do nosso interior ao ponto de sentir-mos os "cliques" e os "cracks" e ademais barulhos que possamos imaginar. Imaginem a pior dor que já tiveram dentro de vós e multipliquem-na por muito. E sabem porque dói? Porque estão a fazê-lo com sucesso e a pensar "e as pessoas que se preocupam e que gostam de mim? Elas não me merecem assim tão gélido!". Não merecem...mas são balas perdidas. São danos colaterais.

Tudo muda. Tive apoios dos mais fortes que existem. Eu não quebrei. Não me deixaram quebrar. A minha dúvida, o meu medo e receio é saber se foi meramente ajuda ou mais um de muitos sinais que eu vou ignorando. Ignorava porque não podia, porque tinha de ser, porque não os via como tal. Agora questiono. Leva-me a bom porto. É injusta esta posição em que me encontro porque, se por um lado é o que eventualmente quero, por outro, é os muitos factores que me obrigam a pensar com muita calma e a agir ainda mais lentamente ou, na pior das hipóteses, sorrateiramente. Eu não me quero esconder mais. Quero dar o passo seguinte. Quero, acima de tudo, estar bem e fazer bem.

As questões, essas, são simples de fazer, mas complexas de responder.
  • Será que devia ter sido este o meu primeiro passo?
  • Será que todo este caminho foi propositado para eu me sentir perder?
  • Será que me estou a iludir com nada?
  • Será que esse nada que me ilude e que eu questiono é o meu tudo?
  • Será que devo arriscar com tudo o que isso implica?

Só o tempo o dirá...mais cedo ou mais tarde? Veremos...

Hoje termino de forma diferente. Espero que gostem.

quinta-feira, 19 de junho de 2014

Que encontres o que procuras.

«O poeta é um fingidor.
Finge tão completamente
Que chega a fingir que é dor
A dor que deveras sente.» Fernando Pessoa


Tentem imaginar alguém que caiu...com um joelho no chão e com o peito debruçado sobre o outro. Eu sinto-me assim. Não quero olhar em frente, apenas quero sentir os meus punhos e o único joelho que se mantém fora de contacto com o solo a aguentarem-me como se fossem os meus pilares.


Sim, eu sou um rapaz. Um rapaz que já devia ter aprendido a lidar com este tipo de perdas, mas o passado é assim; nós aprendemos com ele, ele volta a acertar-nos mais tarde.

É estranho perder alguém quando, em conversas descontraídas nas quais partilhamos sonhos e confissões do que esperamos para o futuro com amigos, dizemos que é com esse alguém que esperamos construir uma vida. Se na madrugada de Sábado tinha a certeza do que queria, hoje penso que foi uma bela chapada que levei da vida. Nunca digas aos outros aquilo que gostavas que te acontecesse a ti. Porque isso vai-se virar contra ti.

Não foi ela que me magoou ao dizer "acabou". Magoou-me foi o facto de eu ter visto nela o que não vi em mais ninguém. Eu sou cego. Poderia confidenciar muita coisa. Poderia dizer que a culpa foi minha ou dela. Poderia até dizer, passando aquela ideia de "estou pronto para outra", que já andava com outra rapariga debaixo de olho; estaria a mentir se o fizesse.

Poderia ter feito e dito tanta coisa. Sentimentos. Como um dia eu escrevi num dos meus esboços para músicas:

«Sem ti tento, sentir menos, sentimentos, que me fazem sentir medos».

Uma cadência tão bonita. Que eu devia guardar na minha cabeça para sempre como modo de vida.
Até um dia, minha querida.

Vem Sentar-te Comigo, Lídia

Vem sentar-te comigo Lídia, à beira do rio.
Sossegadamente fitemos o seu curso e aprendamos
Que a vida passa, e não estamos de mãos enlaçadas.
    (Enlacemos as mãos.)

Depois pensemos, crianças adultas, que a vida
Passa e não fica, nada deixa e nunca regressa,
Vai para um mar muito longe, para ao pé do Fado,
    Mais longe que os deuses.

Desenlacemos as mãos, porque não vale a pena cansarmo-nos.
Quer gozemos, quer não gozemos, passamos como o rio.
Mais vale saber passar silenciosamente
    E sem desassossegos grandes.

Sem amores, nem ódios, nem paixões que levantam a voz,
Nem invejas que dão movimento demais aos olhos,
Nem cuidados, porque se os tivesse o rio sempre correria,
    E sempre iria ter ao mar.

Amemo-nos tranquilamente, pensando que podíamos,
Se quiséssemos, trocar beijos e abraços e carícias,
Mas que mais vale estarmos sentados ao pé um do outro
    Ouvindo correr o rio e vendo-o.

Colhamos flores, pega tu nelas e deixa-as
No colo, e que o seu perfume suavize o momento -
Este momento em que sossegadamente não cremos em nada,
    Pagãos inocentes da decadência.

Ao menos, se for sombra antes, lembrar-te-ás de mim depois
Sem que a minha lembrança te arda ou te fira ou te mova,
Porque nunca enlaçamos as mãos, nem nos beijamos
    Nem fomos mais do que crianças.

E se antes do que eu levares o o bolo ao barqueiro sombrio,
Eu nada terei que sofrer ao lembrar-me de ti.
Ser-me-ás suave à memória lembrando-te assim - à beira-rio,
    Pagã triste e com flores no regaço.


Ricardo Reis, in "Odes" 
Heterónimo de Fernando Pessoa

terça-feira, 10 de junho de 2014

A minha vontade de viajar...

Nunca escondi de ninguém, nem de amigos, que alimento o desejo de um dia viajar. Gosto de conhecer novas cidades, novas pessoas, novos ambientes e novas culturas. Algumas cativam-me mais que outras, mas nunca digo não a uma visita.

No passado Domingo, dia 8, deu-se o término da Semana Académica da Escola Superior de Tecnologias de Abrantes. Era lágrimas, sorrisos, últimas despedidas ou breves "até já" e algumas palavras que envolviam a minha cidade. Algumas das palavras dos estudantes, que decidiram arriscar vir para esta pacata e hospitaleira cidade, era a de que levavam Abrantes, a cidade, as suas gentes e os amigos que por cá fizeram (de outras cidades ou desta) no coração para toda uma vida. Concordo que também alguns e algumas desses/as finalistas me ficaram no coração e apesar de perceber o motivo de todos eles levarem Abrantes no coração, faz-me alguma confusão a forma como eles falam de como se Abrantes fosse o lugar maravilhoso que dizem ser.

Eu nada tenho contra a minha cidade. Penso que Abrantes tem potencial mais que suficiente para crescer a um nível bastante agradável. O problema é que eu vi esta cidade com vida. Lembro-me de, quando criança, querer ir para os baloiços do Castelo de Abrantes ou até mesmo dos Plátanos em Alferrarede. Lembro-me de estar em contacto com a Natureza quase diariamente. Lembro-me de quando começaram a derrubar mato para construir prédios onde, desde a sua construção, apenas meia dúzia de apartamentos são habitados. Claro que os números não são assim tão baixos, mas dada a oferta, é pouco. Muito pouco.

Lembro-me de uma Abrantes com vida nocturna, onde os jovens abrantinos se divertiam, conviviam independentemente do seu grupo e do seu estatuto social. Casos de violência ou roubo eram poucos, mas eram controláveis. Lembro-me de ir para casa com os meus amigos às 6h e 7h da manhã, passar noites inteiras nas ruas de Alferrarede, freguesia que me habito e que defendo com unhas, e dentes e não ter um único problema.

Muita coisa aconteceu desde estas memórias alegres. Hoje, não há parques para as crianças, à obras mal feitas, à estradas sem sentido, rotundas que não dão para lado algum, oliveiras compradas por milhares que podiam ser aplicados em coisas mais importantes, ainda por cima sendo Abrantes conhecida pelos seus olivais e pelo seu azeite de qualidade, não há vida nocturna e a que há ou tem de ser à base do secretismo ou tem de ser controlada para evitar distúrbios...e é uma cidade que, ultimamente, anda a crescer em violência e problemas relacionados com drogas e roubos.

Caríssimos, não se iludam. Abrantes não é uma cidade a temer. Abrantes é apenas mal gerida, mal cuidada e mal tratada por quem tem a obrigação de tratar da cidade como se fosse a sua própria casa. Poderia entrar pela linha da crítica política, pois considero que grande parte da culpa é das pessoas que nos representam na Câmara que só actuam quando o mal lhes acontece a eles (há histórias caricatas que espero abordar mais à frente), mas também dos próprios cidadãos abrantinos que na sua grande maioria fecham os olhos ou assobiam para o lado porque "está tudo bem" e os que têm coragem de falar, por norma, fazem-no de forma isolada.

Vi hoje, numa página de facebook dedicada ao concelho de Abrantes, o estado de algumas peças importantes do nosso Castelo. Eu, que tenho orgulho em ter um Castelo carregado de história e que se revelou importante na conquista de Portugal aos Mouros, fiquei desiludido (mais um bocadinho) com a minha cidade. É inadmissível que um tratamento de desprezo seja dado ao Castelo. Fica como nota que eu, abrantino nascido e criado, visito o Castelo regularmente. Não visito outros sítios onde tudo está "um brinco". (nota: visitem a página de Abrantes. A quem a gere, muitos parabéns pela qualidade e pelas imagens que mostram a quem está mais longe de nós).

Posto isto, o motivo que me levou a escrever este post, é o facto de a minha namorada, que habita em Leiria, partilhar regularmente coisas que acontecem na cidade; é o Estádio que vai abrir para ver os jogos da Selecção, é Teatro de Rua, é Feiras disto e daquilo, é festas que duram uma semana com GRANDES artistas...e eu pergunto-me "Porque ainda estou eu em Abrantes? Porque não saio eu daqui?"A resposta é simples; porque ainda não posso. Gosto de cidades dinâmicas. Abrantes já foi uma cidade dinâmica...cidade florida que faz uma festa das flores de uma tarde. Cidade de animação, que nem cinema tem. Cidade cujas festas duram uns míseros 4 dias e têm cartazes anedóticos demais para quem já trouxe The Kelly Family à uns valentes anos atrás, que tinha fogo de artifício que fazia chorar os céus, que me fazia pensar "quero viajar e conhecer, mas é aqui que quero viver". Hoje tenho 25 anos e mudei esse meu pensar. Hoje quero viajar e conhecer, mas em Abrantes...já não quero viver. O Hospital mal funciona. A vida nocturna é uma miragem. O Tribunal está para ser fechado. A segurança é apenas uma palavra bonita bradada aos quatros cantos e que ecoa pelo vazio desta cidade (repito: pelo vazio; devia ser pelas pessoas).

Eu percebo os estudantes, mas em Abrantes? Já nada é como dantes...e tenho pena que assim seja. Que evoluísse, mas que não se tivesse tornado numa cidade fantasma.

segunda-feira, 24 de março de 2014

Há dias assim

«De facto, não estou perdido. Já me perdi várias vezes, de várias maneiras e feitios. Desta vez estou apenas sem saber que caminho seguir. Uma espécie de encruzilhada. Sei que vou escolher o caminho certo ou então esperar que amanhã tudo seja diferente»

Todos temos aquele(s) dia(s) em que nos sentimos vazios, sem nada. A nossa cabeça não "funciona". Funciona, mas a pensar no que foi, no que podia ter sido, no que nunca será e no que não foi. Nem faz tanto sentido eu sentir-me assim. Tenho uma família espectacular, que sempre combateu as adversidades de uma vida injusta. Tenho uma namorada extraordinária que é também minha amiga e tem sido em alguns momentos o motivo pelo qual eu levanto a cabeça, engulo o meu orgulho e luto por aquilo que gosto no mesmo dia em que me dão motivos para desistir de tudo. Tenho amigos que não trocaria por nada. Então, que me falta?

Falta-me aquela parte que exclui todas as outras. Falta-me a parte em que eu sou um auto-crítico com sentimento de dever cumprido. Não me sinto uma desilusão na escola, mas tenho noção que devia ser bem melhor. Não me sinto desilusão no futebol, mas podia dar bem mais de mim se me deixassem. Não me sinto uma desilusão na música porque...não a tenho feito.

Escrever faz-me bem. Escrever faz-me dizer tudo o que tenho de mal ou dizer tudo o que acho mal. A música foi, por muitas vezes, o meu escape do mundo. Foi com a música que ultrapassei uma das fases mais complicadas da minha vida. Faz-me falta fazer música. Faz-me falta exteriorizar estes sentimentos que guardo só para mim como se fossem o segredo mais bem guardado do mundo.

Faz-me falta sentir o que vai no lado mais escuro do meu cérebro. De resto? Tenho tudo.


quinta-feira, 20 de março de 2014

Dia do Pai

«Sempre preferi perder em detrimento da felicidade dos outros. Também sou egoísta, mas há certos aspectos e valores que me serão mais importantes que o meu próprio sorriso»

Quarta-feira, dia 19 de Março, foi Dia do Pai. Eu sou daqueles que se refere aos Pais com maiúsculas. Eles são uns verdadeiros heróis na minha vida.

Não vi o meu Pai neste dia, mas sei que andei sempre com ele no meu pensamento. Não lhe disse "Feliz Dia do Pai e obrigado por seres quem és e como és", mas desejei do fundo do coração algo que eu sei que era muito mais valioso e importante para ele: a hipótese de poder dizer ao meu falecido Avô as mesmas palavras que eu não lhe disse.


Eu sei que é um erro meu não ter estado com ele nem ter falado com ele. Ele sabe que eu não sou propriamente o filho sentimentalista que qualquer Pai que luta como ele luta todos os dias gostaria de ter e o facto de ele perceber isso, apesar de alguns conflitos que isso cause entre nós esporadicamente, só me faz ter uma vontade ainda maior de poder retribuir-lhe tudo o que ele me deu...dar-lhe a ele tudo o que ele merece.

Eu só tenho medo de me vir a tornar uma desilusão, de falhar perante os olhos vaidosos com que ele me olha, com as palavras orgulhosas com que ele me descreve, como se eu fosse o melhor do mundo, como se ele, meu Pai, fosse Camões e eu fosse os Lusíadas, obra pela qual ele sem um olho e só com um braço lutou contra Oceanos e morreu na miséria.

É claro que não foi ele o único a lutar por mim e pela minha irmã. Houve mais que o tivessem feito. Mas a falha é minha por não ter estado com ele e bem que podia. Voltei a falhar-lhe em algo tão simples. Desculpa-me Pai. Não é que não goste de ti...apenas gosto demasiado de ti ao ponto de desejar que pudesses dizer-lhe a ele, meu Avô teu Pai, Homem sábio que tanto nos ensinou a ambos, mais a ti que a mim, e que te fez o Homem, Pai e Marido espectacular e extraordinário que és, "Feliz Dia do Pai".



terça-feira, 18 de março de 2014

Há tantas coisas que te quero dizer e não sei como o fazer

«Nunca tive aquele poder inato com as palavras. Não que eu seja mau na construção frásica, apenas não sei expressar sentimentos.»

Por várias vezes, tento dizer mil e uma coisas a ela. Ela, é aquela pessoa que veio mudar o meu mundo. Ela, é aquela pessoa que me fez lutar por um coração que, segundo ela, nunca fora tratado como tal. Ela, tal como eu, teve mentiras em algo onde as mentiras não têm espaço. Apenas confiança. Quase cega.

Ela diz-me que nunca teve ninguém como eu. Também me diz que é tudo tão diferente do que tinha tido no passado. Eu apenas gostava de lhe dizer que tudo nela é diferente do meu passado. "Sou o teu escravo mais leal".

Nos dias em que penso como seria a minha vida sem ela, além dos arrepios na pele sinto que o meu vazio nunca iria estar tão cheio como antes. Nunca tive ilusões aquando as minhas tentativas de a conquistar. Pensava sempre «pelo menos tentei, mas o mais certo é que nunca a terei». Nunca fui tão feliz por saber que eu estava errado. A antítese perfeita. Ela é a pessoa certa.