quarta-feira, 2 de agosto de 2017

Wicked Games

O tempo voa, quase tão rápido como a ideia de que tudo vai ficar bem. É tão rápido que a pergunta não é "quanto tempo falta", mas sim "já passou tanto tempo?" e ali me prendo, fixo no pensamento de que não há outra forma de ver as coisas para lá do que elas são. As emoções, essas, guardo para o cliché "o importante não é o destino, mas a viagem em si". De facto, se fizermos um simples exercício de memória, reparamos que as viagens sempre foram mais interessantes que as coisas que fazemos nos nossos destinos. Relembro-me, por exemplo, de uma noite em que uma simples ida a pé, até umas bombas 24h para ir beber um café, demoraram mais do que os 15 minutos e tiveram momentos tão engraçados como memoráveis. Numa memória mais recente, lembro-me de que, há quatro anos atrás, esperava ter uma viagem pacífica pelo mundo da programação e que, estando agora num curso completamente diferente, dei por mim numa jornada que teve de tudo, mas em especial, momentos incríveis com pessoas incríveis. Nunca esperei, por exemplo, vir a dar-me com certas pessoas que, de uma forma ou de outra, acabaram por deixar a sua marca e, verdade seja dita, não podia ter imaginado melhores marcas do que aquelas, simples, mas verdadeiras. As melhores. Mas não é sobre isso que quero falar.

Um dos meus maiores defeitos, ou virtudes, é a capacidade que tenho de imaginar como seriam as coisas se fossem diferentes daquilo que são. Poucas são as pessoas com quem consigo pensar no "como seria", mas essas pessoas existem. Nos últimos 4 anos, essas pessoas foram apenas 3. É aqui que o meu pensamento bloqueia. Primeiro, porque nunca tive uma verdadeira hipótese, por um ou outro motivo, ou talvez pelo mesmo motivo de sempre. Segundo, porque no meio dessas hipóteses, a minha capacidade de colocar barreiras, inconscientemente conscientes, sempre me levou a desperdiçar boas oportunidades para alcançar a única coisa que sempre quis. Mesmo que não fossem "para sempre", seriam "para sempre naquele momento" e eu, que gosto de imaginar episódios da minha vida a longo prazo, gosto de viver o momento.

É aquele sentimento digno de uma comédia romântica que acabaria por ser sucesso num qualquer canal de televisão. Um misto de Ted Mosby (How I Met Your Mother) com Nick Miller (New Girl). Quero com isto dizer que conheci algumas raparigas dignas de terem o melhor de mim, mas o meu lado pateta, ridículo e, por vezes, acriançado, levaram-me a ficar no meio de dois mundos; ou não resulta ou sou o tipo que fica na friendzone. E se ninguém gosta de estar em nenhum desses lados, eu não sou excepção à regra. Imagino. Imagino como seria andar com A ou B pela mão, pelos dias de Outono mais frios, pelos actos espontâneos de fazer uma loucura como andar a colher flores e dar só pela espontaneidade do acto ou fazer um programa sem ter combinado o que quer que seja. Sentar-me no meu quarto a tocar piano mesmo sabendo que não o sei fazer. Escrever poesia e cartas de amor ridículas, mas que fazem sentido. Imaginar os momentos de nascer e pôr do sol, com ela, A ou B. Fazer promessas de viagens ou brincar com pedidos de casamento, como brincadeiras do momento. Aqueles momentos ridículos que parecem não ser nada.

Já imaginei isso tudo com algumas pessoas. Já fiz algumas dessas coisas, mas que valor tiveram elas? Que valor tiveram essas atitudes, essas brincadeiras, essas pequenas e insignificantes coisas? É que para mim, levaram-me a imaginar como seriam e em alguns casos apaixonei-me por esse imaginário. Só que a realidade é outra. A realidade é dura, é fria, é cruel. A realidade é que por muito apaixonante que seja esse imaginário, no final do dia vou continuar na mesma. Vou continuar a procurar pela rapariga que não me veja como o tipo "perfeito demais". Infelizmente "our time is running out"...


sexta-feira, 14 de abril de 2017

Prometo mentir-te (ou esconder a verdade)

Não é uma questão de vontade ou de querer ser mesquinho. É apenas a vontade inerente em mim numa forma de tentar proteger-me contra aquilo que me fazes e que tanto me assusta. Só não me magoa porque já ganhei o hábito de me magoarem ao tentarem esconder a verdade ou, pior ainda, de me mentirem. Percebo quem o faz, mesmo que não o queira. É mais fácil mentir do que ser brutalmente honesto para com os outros. Deixa-me que te diga, é preferível ser-se honesto do que mentir e sabes porquê? Porque ao mentires, vais acabar por cometer erros que me permitem ver essa mentira cair e todas as tuas defesas, todas as hipóteses que tinhas para que eu compreendesse os motivos que te levaram a escolher algo em detrimento de uma outra coisa esfumam-se no vazio absoluto que são as mentiras.

Ainda assim, espero que compreendas que eu não sou, nem nunca serei, a pessoa mais indicada para falar sobre não mentir, porque eu tenho uma série de promessas que te faço todos os dias na esperança que tu, sim tu, entendas que não é fácil estar do meu lado. É uma forma de te proteger contra mim mesmo, que mais cedo ou mais tarde vou acabar por te magoar. Como é que alguém como eu magoa outra pessoa? Simples; eu afasto-te quando me começo a sentir afectado por ti e tu começas a sentir a minha falta como se uma ferida tivesse sido aberta. Não te preocupes, essa ferida sara e nunca voltará a abrir...até que um dia te cruzes comigo.

Eu vou dizer-te que estou bem, mesmo não estando. Vou dizer-te que não quero sair, quando na verdade só quero estar contigo, da mesma forma que vou sair contigo várias vezes e fazer a vida boémia com que nós sonhamos, mesmo que tenha um frigorífico e uma dispensa vazia em casa.

Prometo-te, acima de tudo, que vou rejeitar todos os teus convites quando quiseres estar comigo, mas aceitar de todas as outras pessoas. Vou usar uma desculpa qualquer, por muito honesta que seja, só para poder dizer que fui capaz de te rejeitar. Como se precisasse disso para marcar uma posição. Podia simplesmente ser honesto e dizer que não quero estar contigo por 100 motivos, mesmo que tenha 200 para querer estar. Garanto-te que isto não é fugir de mim próprio, é apenas fazer-te ver que se eu te digo que o mar é azul, é porque o mar é mesmo azul e não é nenhum reflexo do céu. Nós sabemos que eu estou a mentir. O que tu não sabes é que eu quero acreditar nessa mentira como verdade absoluta. Porquê? Porque eu não acredito ser suficientemente bom para fazer com que o mar se apaixone por mim. Nem eu, nem o mar nos perdemos, se assim for.

Sabes que mais? Prometo que nunca mais serei aquela pessoa que tanto pode fazer por ti e que vou andar por aí, à procura da próxima grande cena, só porque sou um tipo de modas que gosta de se esconder atrás de uma mentira mesmo que dentro de mim saiba toda a verdade.

Prometo também, que se namorar com alguém, vou acabar tudo com a desculpa de ser o grande amor da minha vida, mas que não é a altura certa. Prometo que digo isso enquanto vou traindo esse meu amor com outro amor que será a minha relação uns dias depois, mesmo que nunca te esqueça e que fique à tua espera.

Prometo que não te vou afastar quando sentir que tu me estás a afastar a mim, por um qualquer motivo que nenhum de nós entenda. Podemos fingir que é apenas parte do jogo como podemos mentir sobre isso e dizer que está tudo bem, ou mal, consoante a tua preferência. Nunca tive preferência por um lado do tabuleiro, mas sempre preferi começar pelas peças brancas. É mentira, sempre preferi as peças pretas, pois permite-me usar o teu passo em falso, já que jogamos o mesmo jogo, mas com a diferença de seres mais experiente que eu...ou então sou eu que te deixo pensar isso, como se fosse uma mentira que fui implementado em ti para que tu não tivesses essa hipótese comigo.

Prometo isto tudo e muito mais que tu queiras, desde que no final do dia tu saibas que de todas estas linhas, as primeiras são verdade e as restantes...bem, as restantes sou eu a cumprir a minha promessa de te mentir. Porque é isso que eu te prometo; mentir. Mesmo que as minhas mentiras sejam as tuas.

E sabes que mais? Nunca falhei uma promessa com a qual concordasse. Eu não concordo com esta, mas como prometo que te vou mentir, esta também irei cumprir.



segunda-feira, 20 de março de 2017

Esperança vs Realidade

Sim, eu prometi que não voltaria a escrever aqui, mas deixar que os pensamentos falem mais alto que eu é algo que sempre aconteceu na minha vida. Sou óptimo a cumprir promessas perante os outros, menos para mim próprio. É daquelas falhas que não controlo, que nunca vou controlar e são muitas as promessas não cumpridas. Por isso é que sempre disse que não confio em mim próprio, apenas e só por isso, como também sempre disse que "primeiro os outros, eu só estarei para mim no final". Há coisas que não mudam e essa é uma delas. Talvez por isso, tudo aquilo que posso ganhar, acabo por perder. Nem isso me demove de deixar de ser quem sou ou de procurar ser uma pessoa melhor.

Não volto a escrever por me terem pedido. Apenas volto a escrever porque há coisas que não se dizem, mas que moram cá dentro. O quão é suposto ser-se capaz de arriscar? Por quanto tempo terei eu de esperar por algo que, possivelmente, nunca irá acontecer? A realidade das coisas é esta: no meio de todas as coisas, guardo para mim a esperança de uma criança que espera que na noite de Natal ou no dia de aniversário, ao desembrulhar aquela caixa quadrada, encontre o meu brinquedo favorito; a bola para poder jogar, correr, pular, sonhar, relatar o passe do João Vieira Pinto para o Nuno Gomes, que amortece a bola para o remate do (...) ou para imaginar uma jogada de Figo pela linha, que dá para (...) que descobre Rui Costa, o ídolo, ali à entrada de uma área que nada mais é que um chão de cimento, que remata portentosamente para o golo. A diferença, é que essa esperança de menino que guardo em mim, já não é pela bola de futebol onde dou largas à imaginação enquanto controlo os 45 minutos de cada parte. A esperança agora lança-se sobre aquilo que para muitos é inexplicável e com razão.

A esperança que um dia ela olhe para mim e pense para si mesma "é ele". A esperança que um dia eu olhe para baixo e me limite a sorrir. Essa esperança que continuo a esconder do mais comum dos mortais porque, verdade seja dita, são vazios de qualquer valor. Não quero isso, não vou procurar isso e vou continuar a viver sem isso. Vivo bem assim. Só quero que me olhes nos olhos e me transformes a esperança em realidade. Não te vou prometer falhar. Eu já falho a cada dia que passa ao manter-me agarrado à maldita esperança. Nem te quero aqui só para determinadas horas, quero para todas. Não preciso desses clichés que todos papam como se fosse a coisa mais bonita do mundo. Eu preciso é do sorriso desconcertante, das asneiras e dos acertos dos bons malandros, com a coragem de uns Maias para ultrapassarem as dificuldades todas. Preciso daquela loucura combinada com a ternura que, mesmo acabando numa criança amaldiçoada, está presente. Não preciso de encontrar o meu "sempre", pois agora sei que já o encontrei. Preciso é de me livrar da esperança e ter um vislumbre da realidade.

No fundo, preciso de ti. Só preciso de ti, sejas tu quem fores.


quarta-feira, 11 de maio de 2016

Obrigado, mas chega. Ponto final.

Por vezes, chega-mos a uma altura em que nos vemos confrontados com as nossas falhas. Algo que é perfeitamente normal, não fosse essa uma forma de evoluirmos enquanto pessoas. O problema não vem desse confronto, mas da forma como é feito. Quando damos o nosso melhor, mas que não é reconhecido, cansa. Quando batalhamos pela verdade, mas tudo o que recebemos são críticas que nos remetem para um lugar do qual poderemos já não sair, desmotiva. O problema não está na verdade em si, mas na forma como esta incomoda por ser inconveniente.

Pensei, repensei e voltei a pensar novamente naquilo que me faz escrever. É o gosto pela escrita, a liberdade pela qual posso contar uma história e a beleza com com a qual posso descrever qualquer situação que eu considere útil. E eu escrevi. Escrevi com um romanticismo que permite explanar a toda a força essa paixão transmitida pelos outros. Não sou um contador de histórias e muito menos um repórter. Pelo contrário, sou um mero escriba, que procura ter a arte de escrever transmitindo uma mensagem, que não seja vazia. Eu não prometo falhar nem escrevo pelas mil e uma citações. Muito menos me considero um guia espiritual com a mania que sabe muito da vida. Não. Eu escrevo. Escrevo com o mesmo prazer da Geração de 70 e da Geração d'Orpheu. Escrevo pela arte livre, escrevo pela própria arte, sem rodas nem rodeios e sem me considerar um artista. Nunca, jamais em tempo algum critiquei alguém que escrevesse. Minto. Eu critiquei tantos autómatos pela forma fácil com que escrevem. Não me revejo nessa futilidade nem nessa forma quase assassina de tratar a escrita. Cópias rascas daquilo que eu tentei fazer. Aqui e noutros blogs da minha autoria. Eu fui sério, eu fui parvo, eu brinquei com a actualidade e questionei a minha realidade. De que me valeu isso? De nada! Aliás, valeu-me para perder qualquer crédito que poderia minimamente ter, tudo por causa de uma simples falha. Uma falha inconveniente.

 E de que valeu? Pois bem, valeu de nada e de uma guerra que eu poderia vencer, não fosse o cansaço. A minha vontade de escrever continua intacta, mas não quero mostrar quaisquer textos que possam surgir de minha parte. Foram injustos para comigo e isso afectou-me. Das poucas coisas que me afectou até hoje. Porque me afectou? Porque aquilo que fiz, não foi feito pela obrigação de fazer. Foi feito por gosto, por respeito e com paixão. É pena que poucos metam os olhos naquilo que fazem, mas preferiam viver de um ataque desmesurado e carregado de ódio. Sun Tzu dizia que a melhor forma de ganhar ao inimigo era ser o primeiro a chegar ao campo de guerra impondo o ritmo da guerra. Sim, eu poderia fazê-lo, com uma facilidade assustadora e que derrubaria muitas das coisas que convém estarem por ali, vazias e sem ninguém...mas que estão. Tratar algo puro como um "deixa-te estar aí, que fazes-me falta para..." é de baixo carácter. Sou a favor de transmitir bons valores, mas não fazer uso de algo que os transmita. Batalhar todos os dias por esses valores, em qualquer quadrante da minha insignificante vida, é algo que me orgulho de dizer. Sem interesses e sem rodeios. Apenas pelo gosto de o fazer.

Ponderei, nestes dias, sobre se haveria de continuar a escrever ou parar de vez. Pois bem, a minha decisão está tomada. Vou mesmo parar de o fazer. Este é o último texto que irei escrever neste blog, que tem sido espaço de desabafo de pensamentos, histórias, poemas, cartas...e ficou tanto por escrever! Tantas vezes que abri este espaço para escrever sobre tantos assuntos e não o fiz. Tantos rascunhos que foram eliminados. Foram demasiadas conversas que não tive. Também os restantes blogs da minha autoria não receberam mais textos. A vontade de continuar é muita, mas sob o risco de escrever algo incomodativo, prefiro abdicar dessa minha posição.

Obrigado a quem leu e a quem partilhou textos e pensamentos. Obrigado a quem citou, mesmo descontextualizando a essência da mensagem tornando algo forte numa citação fútil. Obrigado a quem soube tirar a verdadeira essências do que aqui foi partilhado. Obrigado a quem sentiu prazer ao ler os textos e a quem me incentivou a continuar a escrever. Obrigado, mas chega.

Ponto final


quinta-feira, 28 de abril de 2016

Divagar como quem Navega

Não consigo evitar ouvir a Sometimes It Ends de Asking Alexandria enquanto escrevo este texto. Digo-o porque, de facto, é a única coisa que vejo neste momento. Que as coisas podem acabar. Que os outros podem cair. Eu prefiro manter-me de pé. Lá porque vivo numa realidade destrutiva distorcida, não significa que não seja capaz de brilhar mais que os outros. Nem é isso que vem ao acaso. Neste momento, a única coisa que me importa realmente é saber aquilo que fiz ao longo deste tempo todo. Podia enumerá-las e tornar este texto mais curto que a carreira da Amy Whinehouse. Ou mais misterioso que a própria imagem de Carlos Fradique Mendes. Não...vou fazê-lo como gosto e escrever até que me aborreça. E sim, esta minha atitude é um dos grandes muros que me impedem de já ter escritos uns quantos livros ou ter feitos umas quantas músicas novas. O meu maior defeito? Aborrecer-me.

É verdade que tenho saudades tuas. O mais engraçado disto tudo, é que é a primeira vez que o digo abertamente. A vida muda e continua. Eu ganhei novos focos, é um facto. Não que a tua partida tenha influenciado esses novos focos, pelo contrário, procurei neles o refúgio que precisava para me manter de pé e continuar na luta pelos meus objectivos. Também é verdade que, apesar de novos focos, o meu desinteresse aumentou e hoje limito-me a fazer o melhor dentro dos mínimos das minhas capacidades máximas. E resulta, porque em momentos que todos pensam que já não vão dar em nada, a surpresa acontece. Outra coisa que resultou bem, é que permitiu-me ser mais honesto comigo próprio. A maior parte das pessoas não gosta é disso, mas prefiro manter-me fiel à minha própria identidade. Obrigado por isso. Só ainda não conheci ninguém que seja digna do lugar que tu deixaste vago, até porque o lugar que tu ocupaste não é um simples lugar. Era o lugar. Aquele mesmo. A vida continua e resta-me, à distância, olhar para ti e ver que estás a dar-te bem na vida e a ser feliz, longe de mim, sem mim. A melhor coisa que fiz? Conhecer-te!

E nisto o tempo passa e eu começo a aborrecer-me de tanto escrever. Canso-me porque de tudo o que queria falar, só falei pela metade e faltou-me o essencial. É um erro comum que cometo. Procurar a perfeição ou tentar ser tão específico quanto possível. Dizer tudo em tão poucas palavras, mas ser tudo em menos acções. Coisas simples. Não é só nisto que falho. Falho em muitas outras coisas, como por exemplo não ser o suficiente para quem é tudo para mim. Não é que eu me esforce, porque o nosso melhor não deve ser forçado a sair, deve ser algo natural. Eu é que sou o meu pior inimigo e penso que podia sempre dar mais um bocadinho, seja na escrita, na música, nas pessoas. Aquele bocadinho mais. Um dia vou pegar nestes três bocados de nada e fazer deles um tudo. Talvez ainda hoje ou talvez só amanhã. Um dia em que não me aborreça. E isto é uma das muitas razões pela qual me fazes falta. Porque quando eu estava em baixo, tu estavas lá. Quando eu estava lá em cima, tu continuavas lá. No meu melhor e no meu pior. Quando eu me aborrecia, tu davas a volta e davas-me uma nova motivação, até porque não havia melhor motivação que o teu sorriso. A minha maior falha? A incapacidade de não me aborrecer. O meu pior defeito? A incessante procura por mais. A pior coisa que fiz? Perder-te. E perder-me.

segunda-feira, 14 de março de 2016

Afinal, as pessoas mudam

Durante anos, tive como ideia que as pessoas não mudavam, apenas se revelavam. Não vi tal como verdade absoluta, mas as circunstâncias da vida assim me levavam a acreditar que o Eu interior de cada um poderia simplesmente ser ocultado por tanto tempo quanto a pessoa assim o quisesse, se assim o soubesse fazer. Em algumas pessoas é fácil perceber que aquilo que demonstram ser é diferente daquilo que realmente são, noutras nem por isso. Parte de toda uma predesposição de todos os intervenientes. Outro dos motivos que me levava a pensar assim era pelo simples facto de eu próprio não demonstrar aquilo que realmente era, tendência que ainda continua, mas como forma de auto-defesa. Porém, alguns acontecimentos fizeram-me repensar nessa minha forma de ver as pessoas e o mundo. As ciências sociais levaram-me a um momento de introspecção que se aprofundou com o desenrolar de alguns acontecimentos. Bastava-me ter olhado para a minha própria vida em retrospectiva para perceber que ambas as visões (a mudança e o revelar do ego) podem coexistir em sociedade.

Auguste Comte, desenvolveu na Sociologia, a lei dos três estágios. Essa lei, com o Positivismo como pano de fundo, resume-se como essencial para a evolução do indivíduo. Isto implica que, na soma de todas as aprendizagens e explicações, o indivíduo muda a sua forma de ser. A questão aqui será mesmo qual o impacto que acontecimentos positivos poderão ter junto do indivíduo e se serão mais fortes esses impactos via situações negativas. No meu caso específico, aprendi mais nos momentos negativos que nos positivos. Recordo-me de me dizerem que eu tinha tendências para vir a ser uma pessoa negativa, fechada, fria. Algo que acabou por acontecer e motivo pelo qual eu considerava mais correcto as pessoas revelarem-se do que mudarem. No entanto, tornei-me uma pessoa diferente, muito diferente e atestei isso durante estes últimos meses. Privado de pessoas importantes, acabei por mudar a minha forma de ver o mundo. Se por um lado continuo a mesma pessoa, por outro, já não sou a mesma pessoa que era. Recuperei certos aspectos que fui deixando para trás, mas perdi talvez aquele que considerava ser o meu maior handicap. Em vez de me agonizar com os meus problemas, aprendi a aceitá-los e a viver com eles, com um sorriso estampado na cara. Até porque certos problemas vão acompanhar-me para todo o sempre e, por isso, é preferível saber lidar com eles a deixar-me ser vencido por eles. Nesse aspecto, eu mudei.

Atente-se que não pretendo aqui enunciar um leque de aspectos que eu tenha mudado em mim próprio. Penso que a melhor mudança é mesmo o aceitar de que estava errado naquilo que considerava ser o mais correcto. Sim, as pessoas mudam e eu vou continuar a mudar sempre que achar que isso me fará ser uma melhor pessoa. No entanto, as pessoas também se revelam, pois muitas tentam passar uma imagem completamente diferente daquilo que realmente são. Tenha eu o discernimento de as saber ler e interpretar, para que não volte a ser apanhado desprevenido.

No final do dia, por muito que eu tenha mudado, vou continuar a tentar extrair o melhor de cada pessoa que passe e que se deixe tocar por mim. Afinal de contas, nós só precisamos de um ligeiro impulso para nos tornarmos pessoas melhores. Só que alguns de nós perdem esse impulso. Eu perdi o meu, mas decidi que não me mudaria para uma pessoa pior. Decidi que iria mudar para ser alguém melhor, revelando um pouco mais daquilo que realmente sou. É tudo uma questão de atitude.

sábado, 12 de março de 2016

16 em 3 (Parte 3) - O Último

Parte 1                                                                                                                                                                 Parte 2






E assim termina esta sequência de 16 músicas. Exceptuando as três últimas músicas deste post e a primeira música do primeiro post, todas as outras estão por ordem aleatória. Espero que tenham gostado.